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O aperto da ‘sodade’

Redação

10 Setembro 2011 | 15h12

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Uma semana de curso. Relações em formação. Projeções do futuro, ainda que turvas. Na minha cabeça, ressoa uma declaração do Chico Ornellas, dita na fase de entrevista: “Vocês escolheram deixar a zona de conforto e, por isso, já são vencedores”. Era o reconhecimento do esforço desprendido, uma sentença capaz de me fazer desejar ser um foca como eu nunca havia desejado antes. Naquele momento, percebi que poderia avançar. Eu era capaz.

Curso iniciado, veio o choque. Que sentimento era aquele? Estaria eu vacilando, duvidando dos meus objetivos? Por alguns instantes, olhei para trás: perco mais do que ganho? De onde vinha, afinal, aquela sensação de aperto? A resposta era óbvia. Saudades. Ou sodade, como costumam falar no sertão nordestino. Para mim, potiguar recém-apresentado aos infinitos tons de cinza de São Paulo, essa percepção de isolamento e perda era o 31º foca, invisível mas sempre presente.

Conversando com os colegas, constatei não estar só.

“Sim, saudade atrapalha, porque deixa a gente um pouco mais sensível, embora isso também possa ter suas vantagens.” (Jacyara, foca 11)

“O que faço para amenizar a saudade? Procuro me ocupar sempre, bebo quando possível e aproveito as promoções da Webjet” (Davi Lira, foca 6)

“Apesar de estar há quatro anos aqui, a saudade sempre emociona. Manter laços fortes com os amigos ajuda.” (José Roberto, o Zé, foca 13)

“A saudade ainda não me atrapalhou. Pior é o frio.” (Talita Duvanel, foca 28)

Os graus de saudades são diferentes, é claro; a maioria sabe lidar com isso melhor do que eu. Ainda assim, é engraçado observar como, de repente, até aquele vizinho apaixonado por axé lhe parece um bom camarada. Sentir falta dos amigos antes negligenciados, então, é moleza. No fim das contas, acho que o melhor remédio para aplacar o sentimento é tentar vislumbrar os desafios das próximas semanas. Ou lembrar que o sucesso exige performances arrojadas. Força, amigo.

Se você pensar na grandeza do sacrifício, as coisas ficam mais leves. Tem funcionado para mim. No mais, não estamos sozinhos para valer. Há sempre um foca amigo por perto, pronto para estender a mão, certo? Na companhia de vocês, então, espero que o dia 9 de dezembro demore a chegar. Quando isso acontecer, que todos tenham vencido suas inseguranças, suas apreensões, suas saudades. Até lá!

Leandro Igor Vieira, de 26 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

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