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O desespero da pauta

Redação

12 Outubro 2011 | 10h21

Caro leitor, se você não é familiarizado com os jargões jornalísticos, eis aqui mais um para o seu dicionário: a pauta.

Para o Houaiss, pautar pode ser seis coisas diferentes, sendo o quarto significado “programar (determinado assunto) para uma edição de jornal, revista, programa de rádio ou televisão etc” e “detalhar (o assunto programado), quanto aos aspectos que deverão ser focalizados”.

Sim, a pauta é o “tema” da matéria, se foi isso que você pensou inicialmente. Nas redações, o pauteiro e o chefe de reportagem, normalmente, são os responsáveis por decidir as pautas e distribuir entre os repórteres as pautas da edição a ser produzida. São eles que decidem a sorte do repórter, definindo se ele irá cobrir a movimentação de um festival de jazz num dia de sol no Ibirapuera ou se fará uma cobertura in loco dos pontos de alagamento da zona oeste da cidade, numa tarde de chuva, às 18h.

Nesta dinâmica, como pode, então, um repórter virar dono do seu próprio destino? Trazendo de casa, junto com todo o seu repertório, uma pauta boa, digna, mas acima de tudo, factível.

Se você ainda tem dúvidas sobre essa dinâmica, pode dar uma olhada no site do The Guardian. O jornal inglês The Guardian abriu a pauta do dia para os leitores, [http://www.guardian.co.uk/help/insideguardian/2011/oct/10/guardian-newslist] o que significa que você pode acompanhar os assuntos que estão sendo produzidos para a edição de amanhã, e ver quem está fazendo o quê.

Para nós, focas, a pauta é sinônimo de desespero. Ainda sem os melindres da redação, poucas vezes temos uma ideia pronta para uma matéria, o que resulta numa perspectiva de realidade nada animadora, de coberturas nada agradáveis, das pautas que ninguém quer pode  fazer, afinal, estão todos ocupados com as pautas que eles mesmos sugeriram e pré-apuraram.

Os focas estão desesperados, ficamos loucos atrás de pautas e, agora, estamos loucos atrás de fontes, dados, estatísticas, tudo para construí-las. Pais, amigos, namorados, estamos bem, estamos vivos, neste mundo paralelo chamado apuração.

Natália Peixoto Rodrigues, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela PUC-SP