O fato nas fotos
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O fato nas fotos

Redação

04 Novembro 2010 | 20h09

A imagem na capa do jornal é, talvez, o elemento que mais chama a atenção dos leitores nas bancas. O que seriam de fatos como a eleição de Dilma Rousseff, o velório do ex-presidente argentino Néstor Kirchner ou, até mesmo, a pane no Metrô de São Paulo, em setembro, sem suas respectivas fotos?

Tem imagens que prezam pela beleza de uma cidade, de crianças brincando, outras captam o momento único, um cochicho significante, um olhar, um chute na bola.

Quando estourou a guerra do Iraque, em 2003, o repórter fotográfico Juca Varella estava lá. Presenciou o conflito armado e, por sua cobertura, ganhou o Prêmio Esso de Reportagem ao lado do repórter Sérgio Dávila. Voltou para o país outras duas vezes, a última com o repórter Lourival Sant’Anna, e diz que, mesmo hoje, ocupando o cargo de editor de fotografia no Grupo Estado, gosta de sair para a rua pelo menos duas vezes ao ano.

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Vista de um ataque noturno norte-americano. Na foto, misturam-se as fumaças da queima de petróleo para despistar os bombardeiros com os clarões das explosões e das baterias antiaéreas. Foto: Juca Varella

Varella vê o Brasil como o País das imagens por causa da diversidade de geografia, população, cultura, paisagens naturais e urbanas. Ele acredita que a foto é tão importante quanto a manchete ou as grandes reportagens de um jornal.

Para o repórter fotográfico José Francisco Diorio – mais conhecido como JF Diorio –, uma boa foto não precisa de legenda, pois ela resume todo o acontecimento. Ele trabalha com fotografia há 21 anos, dos quais 15 no Grupo Estado, e tira, em média, 180 fotos por dia. Chega ao jornal às 13h, normalmente ultrapassa as 8 horas diárias de trabalho, mas não se queixa. “O meu trabalho é, literalmente, pesado. Em dia de jogo de futebol, carrego cerca de 30 kg de equipamentos nas costas.”

No fim de 2009, Diorio passou dois meses na Amazônia em uma expedição para encontrar índios isolados. Atravessou boa parte do Amazonas, comeu comidas estranhas, foi atacado por mosquitos e, é claro, fotografou muitas paisagens e pessoas. Ele diz que encontrou na fotografia a melhor forma de representar o real.

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Equipe posa para foto durante incursão pela selva amazônica, atividade que tomou tempo da maior parte da viagem. Foto: JF Diorio

O curso dos ‘focas’ também tem um repórter fotográfico: o foca 21, Lucas Sampaio. Há dois anos e meio, ele trabalha profissionalmente com fotografia – um e meio como repórter fotográfico – e, nas horas de lazer, arrisca registrar os momentos dos colegas de sala, em enquadramentos sempre elogiados. Numa entrevista breve, ele deixa claro sua queda pelas imagens: “a fotografia é universal porque não tem a barreira do idioma. Dá para passar a informação de forma instantânea, direta e forte”.

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Café a dois com mapa turístico, Paris 2008, 3º prêmio do I Concurso de Fotografia da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Foto: Lucas Sampaio

E para encerrar este post, nada melhor que o vídeo Birds in the Wire. A canção, composta pelo publicitário e músico Jarbas Agnelli, foi baseada na foto do repórter fotográfico Paulo Pinto com pássaros apoiados nos fios de um poste, que lembravam uma partitura. O trabalho de imagem e música foi escolhido entre os 25 melhores na Primeira Bienal do Vídeo Criativo, organizada pelo Museu Guggenheim.


Carolina Almeida, de 22 anos, é formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)