O Furo Possível
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O Furo Possível

Redação

31 Outubro 2011 | 08h00

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Todos procuram, mas poucos o encontram. O furo jornalístico está na essência da nossa profissão, mas sair na frente da concorrência é uma missão que requer boas fontes, apuração impecável e muita bagagem de informação contextualizada. Se já é difícil encontrá-lo no jornalismo hardnews, o problema pode ser ainda maior na cobertura cultural. Afinal, se todos os jornais têm acesso à mesma agenda de lançamentos e ações culturais, é possível dizer que existe furo no jornalismo cultural?

A pergunta que suscitou dúvidas entre os Focas foi levada à redação do Caderno 2.  Para o editor Ubiratan Brasil, a dinâmica da cobertura de cultura é diferente, e o fato puro e simples não é suficiente para uma reportagem. “A cobertura tenta fugir da agenda encontrando algo que possa ser aprofundado, como entrevistas exclusivas e informações diferenciadas, para entregar um pacote recheado com aspectos criativos”. Segundo ele, o acesso a estas informações depende da relação com a fonte.  “Após publicar matérias bem feitas, o repórter ganha confiança para receber informações exclusivas”.

Foi o que aconteceu com o ex-foca (2007) Lucas Nóbile, repórter de música do Estadão. Nóbile conseguiu antecipar o lançamento do último CD do rapper Criolo, Nó na Orelha, após uma entrevista com seu produtor, Daniel Ganjaman. Durante a apuração, Ganjaman lhe contou sobre um bom CD em fase de produção. “Pedi que ele me avisasse sobre o lançamento e como Ganjaman gostou da reportagem publicada, acabou me passando o disco antes da assessoria. Fiquei muito feliz por ter feito essa matéria e ter antecipado um dos melhores CDs do ano”.

Outro furo de Lucas aconteceu recentemente na cobertura do Rock In Rio. O repórter conseguiu driblar a segurança e assistir à passagem de som do cantor Steve Wonder. Assim, ele divulgou na TV Estadão que o repertório do cantor incluía a canção Garota de Ipanema, e o vídeo teve recorde de acesso. “Eu era o único jornalista que teve acesso à informação. Se o repórter do caderno Metrópole tem que estar na rua para encontrar a matéria, o repórter de cultura também. Não adianta ficar sentado na redação esperando pela. Tem que circular, conhecer os lugares”.

Antonio Pita, de 24 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)