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O novo novo jornalismo

Redação

29 Setembro 2011 | 23h59

Do chamado novo jornalismo você já ouviu falar: nasceu na imprensa norte-americana dos anos 60, dando tratamento literário ao texto da reportagem. Hoje está cada vez mais em evidência uma nova e fascinante forma de se fazer trabalho de ponta: o jornalismo de precisão, ou de dados, ou ainda computer-assisted reporting (CAR).

Escreve Philip Meyer, na obra seminal Precision Journalism: “Houve um tempo em que tudo o que se precisava era dedicação à verdade, muita energia e algum talento para escrever. Você ainda precisa dessas coisas, mas elas não são mais suficientes. O mundo ficou tão complicado, o aumento da informação disponível tão explosivo, que o jornalista precisa ser filtro e transmissor, organizador e intérprete, além de coletar e entregar fatos. Além de saber como colocar a informação na página ou no ar, também deve saber colocá-la na cabeça do receptor. Em resumo, um jornalista deve ser administrador de bases de dados, processador de dados e analista de dados.”

Meyer escreveu isso em 1969-70 antes de os criadores do Google terem nascido (eles são de 1973).

“Se até Gay Talese tem o seu próprio banco de dados, por que não nós?”, ouvi certa vez de José Roberto de Toledo, especialista em CAR. Talese, confesso desafeto de computadores, criou um banco de dados material – anotações em papel – com informações sobre seu casamento, que resultaram na obra A Mulher do Próximo.

“Saber trabalhar com planilhas no Excel é cada vez mais importante”, comentou en passant o repórter do caderno Metrópole e ex-foca Vitor Hugo Brandalise, no último dia 15. Seu colega, Edison Veiga, havia compartilhado uma história de apuração. Ele queria saber quais artistas mais tinham participado da Virada Cultural. A Secretaria Municipal de Cultura não tinha tempo de analisar os dados, e os mandou brutos, em arquivos de Excel. O repórter acabou fazendo a contagem à mão, “o que deu muito mais trabalho”. A boa notícia: Carla Miranda, professora deste curso, contou que teremos aulas de Excel com o pessoal da Contas Abertas, renomada ONG watchdog.

Rafael Abraham, de 24 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp)