O tal do clichê
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O tal do clichê

Redação

14 Setembro 2011 | 18h00

Foto: Henry Romero/Reuters

Nós, jornalistas, temos um quê mórbido em nossas alegrias. Gostamos do torto, do errado, torcemos para que as tragédias nos encontrem e que o sossego não nos alcance, não durante o expediente.

Pode parecer um tanto quanto sádico, mas, juro, é puro profissionalismo. Uma mistura de pressão do patrão com a gana de informar o mundo do que acontece em cada esquina, em todos os hospitais, delegacias e assembleias legislativas.

Sofremos com você, querido leitor. Nós, focas, sofremos ainda mais. Agarramos o jornalismo por pura paixão e ainda queremos fazer bem feito, apesar dos deadlines assustadores e das pautas, digamos, diferenciadas.

Escolhemos “a melhor profissão do mundo”, disse o mestre Gabriel García Márquez. E se o gênio colombiano, escritor das vilas encantadas e dos personagens de almas fundas, não evita o clichê, quem sou eu para fazer o contrário?

“Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar diante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta de imprevistos da vida não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso não pode nem sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.”

– Gabriel García Márquez, no discurso “A melhor profissão do mundo

Natália Peixoto Rodrigues, 24 anos, é formada em Jornalismo pela PUC-SP