Observar e aprender
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Observar e aprender

Redação

03 Novembro 2010 | 08h00

Uma das poucas coisas que não me agradam na profissão de jornalista é ter de trabalhar em fins de semana e feriados. Em alguns lugares, o plantão ocorre uma vez por mês. Em outros, trabalha-se semana sim, semana não. Dificilmente alguém consegue emendar um feriado. Já vi, inclusive, negociações sobre escala de trabalho durante o Natal e o Ano Novo acabarem em sorteio, depois de muita discussão e nenhum entendimento.

Mas desta vez foi diferente. O feriado de Dia de Finados foi a primeira (e última) “folga” prolongada que tivemos durante o curso, mas quase todos os focas fizeram questão de trabalhar no domingo. Houve reclamação de quem não conseguiu uma vaga e novos postos foram buscados para que todos tivessem a oportunidade de vir para o jornal.

Alguns aproveitaram os dias de folga para visitar a família em outros Estados, mas quem pôde foi para a redação em pleno domingo com muita vontade de ajudar. Tudo isso para viver a experiência de acompanhar a cobertura das eleições de dentro de um dos maiores jornais do País.

Pela manhã, o clima era de tranquilidade. O silêncio da redação não dava indícios de que começava um dos dias mais movimentados do ano para qualquer jornal. Aos poucos, as mesas iam sendo ocupadas, os jornalistas iniciavam seu trabalho e o barulho começava a crescer. No fim da tarde, a agitação já era completa. Dispostos em cestas forradas com papel colorido, minissanduíches embrulhados em saquinhos plásticos davam um clima de festa à redação. “Eles podiam colocar uns docinhos também”, comentou uma jornalista algum tempo depois, quando todos os sanduíches já haviam desaparecido.

O que todos os focas queriam no domingo era ajudar de alguma forma a fazer a edição que anunciaria o novo nome na Presidência do País. Seja pesquisando nos arquivos do jornal ou procurando uma foto, buscando um personagem para uma matéria ou escrevendo um pequeno texto, o importante era estar presente. Mesmo que a ajuda oferecida não fosse necessária, somente observar o movimento, ver como os jornalistas acompanham a eleição e como os resultados vão aos poucos se transformando em matérias é um grande aprendizado. Se ver o funcionamento da redação em um dia normal já é muito bom, acompanhar o trabalho em datas especiais é ainda mais interessante. “Perdemos” o domingo felizes, na esperança de cobrir muitas outras eleições.

Vanessa Corrêa, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)

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