Ângela Bastos e Beatriz Jucá: desafios da reportagem multiplataforma
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Ângela Bastos e Beatriz Jucá: desafios da reportagem multiplataforma

Carla Miranda

22 Outubro 2015 | 19h59

Por Luisa Pinheiro

“A reportagem é uma escolha do repórter porque envolve trabalho desde a produção da pauta e muito esforço pessoal”, disse a jornalista cearense Beatriz Jucá do Diário do Nordeste, que participou do segundo bloco de palestras sobre reportagens multiplataformas desta quinta-feira, 22, com Ângela Bastos, do Diário Catarinense.

Ângela Bastos - Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Ângela Bastos – Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Repórter especial em Florianópolis, Ângela Bastos teve a ideia de fazer a reportagem “As quatro estações de Iracema e Dirceu” a partir da divulgação dos dados do Censo 2010, que mostraram que 103 mil pessoas viviam em situação de extrema pobreza em Santa Catarina. Ela resolveu contar como é ser “miserável” em um Estado rico a partir de uma família que vivesse no campo. Com a pré-apuração, ela chegou à família Canofre, descendente de alemães e moradora do planalto norte catarinense. Foram dois anos e sete meses de apuração para produzir a reportagem que foi dividida entre as estações do ano. “O grande desafio é levar o leitor até a casa dos personagens e fazer ele entrar na vida daquelas pessoas”, comento

Para a jornalista, um dos momentos mais marcantes da produção da matéria foi a volta ao assentamento onde vive o casal de agricultores, quando ela soube que a família conseguiu ultrapassar o limite de renda mínimo para receber o Bolsa Família e deixaram de receber o benefício. Entre as dificuldades, Ângela destacou a falta de orçamento para a viagem à Alemanha, onde ela queria conhecer os parentes da família Canofre. Ela teve que aliar a apuração a uma viagem à Noruega e Dinamarca de outra pauta.

Beatriz Jucá - Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Beatriz Jucá – Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Quando falou da experiência na apuração da reportagem “O Quinze”, que marcou os cem anos da seca retratada no livro da autora cearense, Rachel de Queiroz, Beatriz Jucá enfatizou que é preciso envolvimento e insistência para apurar e conseguir espaço na redação para as matérias especiais. Na reportagem, a jornalista tentou conhecer a realidade da região mais árida do Ceará sem uma abordagem invasiva, valorizando as mudanças das pessoas que moram em cidades como Crateús e resgatando as lembranças da seca de 1915.

Enquanto a reportagem sobre a família Canofre teve mais de dois anos para ser produzida, “O Quinze” foi escrita em uma semana. Mas, na viagem, Beatriz Jucá conseguiu mais tempo para apurar em locais históricos a partir das primeiras entrevistas com as fontes. Para ela, o repórter tem que pedir “o que a pauta merece”, mas depois se adaptar à realidade do jornal. A dica para conseguir espaço para matérias como “O Quinze” é chegar com uma abordagem diferente para a pauta.