Os lados do balcão
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Os lados do balcão

Redação

26 Novembro 2010 | 21h31

Para fazer uma reportagem, o jornalista precisa de dados, visitar lugares, entrevistar autoridades, artistas, políticos, entre outros personagens. E, muitas vezes, para conseguir tais informações e conversas, é necessário passar antes pela assessoria de imprensa. Nesse momento, pode surgir a solução de seus problemas… ou o início deles. Certamente, você, jovem jornalista, já teve alguma experiência negativa em relação a esse agente intermediador.
Uma das principais funções de uma assessoria de imprensa é fornecer ao jornalista informações corretas ou acesso a fontes importantes para, dessa forma, ele escrever e apresentar um texto honesto ao leitor.

Durante o curso Estado, tive contato com diversos profissionais de assessoria e alguns deles deram um bom apoio. Foram os casos das assessoras que prestam serviço à Associação Comercial de São Paulo e me ajudaram a entrevistar o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem; e do assessor da Via Amarela, que me guiou em uma visita às obras da Linha 4-Amarela do Metrô.

Mas nem sempre isso ocorre. Em muitas ocasiões, os assessores não dão muito apoio e só querem passar o que convém a eles e aos seus clientes – por motivos óbvios. A situação pode ficar pior e mais burocrática quando lidamos com órgãos do governo. Ainda mais se você é um foca e as pessoas não te conhecem.

Paciência, nessa situação, é fundamental – muitos “chás de cadeira” serão tomados.

Aliás, a paciência varia de acordo com o deadline e você não deve ser um refém do assessor. É preciso deixar claro os seus limites de horário e cobrar uma resposta. Em casos cujas respostas não sejam dadas, partimos para o bom e velho “até o fechamento desta edição, o fulano de tal não se manifestou” – mostre ao leitor que houve a intenção de ouvir todos os lados envolvidos.

Outro ponto importante a ser destacado é que dificilmente um furo será obtido por meio das assessorias. Não adianta, por exemplo, falar com a assessoria de uma prefeitura e pedir a lista de obras superfaturadas.

Há muito preconceito em relação à área de assessoria de imprensa. Tenho muitos colegas jornalistas que se negam a realizar esse tipo de atividade. Eu, por exemplo, já trabalhei em um escritório de assessoria. Achei interessante e gostei das pessoas com quem trabalhei. Foi uma grande oportunidade para ver o outro lado do balcão.

Hoje, em uma redação, essa minha experiência sem dúvida ajuda nos momentos em que preciso lidar com os assessores – tanto os bons, quanto os ruins. Mas a busca pelos dois – ou mais – lados de um caso é a experiência de redação que pode trazer. Assessoria de imprensa, afinal, está lá para defender os interesses do cliente.

Amon Borges, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e estuda Filosofia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

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