Paulo Saldaña e o jornalismo que vale prêmio
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Paulo Saldaña e o jornalismo que vale prêmio

Carla Miranda

21 Outubro 2015 | 19h13

O jornalista do Estado acabou de ganhar o prêmio Esso com reportagem sobre a Farra do Fies. Foto: Luciana Amaral

O jornalista do Estado acabou de ganhar o prêmio Esso com reportagem sobre a Farra do Fies. Foto: Luciana Amaral

Por Vitor Tavares
Ao decidir fazer jornalismo, o paulistano Paulo Saldaña tinha um objetivo: fazer matérias relevantes, de denúncia social e de repercussão. Oito anos depois de sua formatura, ele acaba de ganhar seu primeiro Prêmio ExxonMobil, antigo Prêmio Esso, na última segunda-feira (19), junto aos colegas Rodrigo Burgarelli e José Roberto Toledo, do Estado. O material produzido sobre a “Farra do Fies” apenas concretizou o caminho que o ex-foca vinha trilhando na profissão.
Muito mais do que um troféu, a premiação coroa um trabalho em equipe, a seis mãos. “Essa troca de ideias com os colegas é o principal trunfo do jornalismo. É um acúmulo de ideias e de critérios. São vários olhares sobre um tema, que podem enxergar questões diferentes”, disse. A reportagem “Farra do Fies”, que passou cerca de três meses em produção, mostra o programa federal que consumiu R$ 28 bilhões em quatro anos e endividou alunos que dificilmente poderão ressarcir os cofres públicos.
O jornalismo de Saldaña é o “hard news”: trabalha com dados, em assuntos do dia a dia, mergulhado em planilhas e informações públicas. “Não que não ache importante contar as histórias das pessoas. O jornalismo, inclusive, precisa disso. Mas a sociedade também precisa da fiscalização pública, é o nosso papel social”, disse. Saldanã começou a trabalhar no Estado em agosto de 2009, passando pelas editorias de Vida e Metrópole. Desde então, vem emplacando algumas das principais manchetes para o jornal, como o vazamento de dados dos inscritos do Enem, em 2010.
Especializado em educação e políticas públicas, Saldaña se torna agora reconhecido pela interpretação de dados. Um exercício que começa na desconfiança. “Eu mergulho nos assuntos por completo, mas sem ser desleal e fazer polêmica só pela polêmica”,  disse. Para ele, todos os jornalistas precisam ir atrás do senso comum. Mas para quebrá-lo.