Paulo Totti: “O bom jornalista precisa entender o Brasil e o Mundo”
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Paulo Totti: “O bom jornalista precisa entender o Brasil e o Mundo”

Antes de se especializar em jornalismo econômico, Paulo Totti passou por quase todas as editorias de uma redação. “Já fui tudo dentro de um jornal, menos boy e dono, isso eu nunca consegui”.

Redação

23 Outubro 2013 | 15h58

Mel Bleil Gallo

Antes de se especializar em jornalismo econômico, Paulo Totti passou por quase todas as editorias de uma redação. “Já fui tudo dentro de um jornal, menos boy e dono, isso eu nunca consegui”, brincou o repórter, que já acumula quase seis décadas de carreira. “O mais difícil é ter o domínio da linguagem, a arte da entrevista. Tem de prestar uma atenção muito grande no que acontece no mundo, no país, na sua cidade”, ensinou, durante a Semana Estado de Jornalismo.

No caso de coberturas mais específicas, um conhecimento básico da área é recomendável, mas Totti garante que isso vem com o tempo. “Sendo um bom jornalista, você consegue cobrir tanto economia como futebol. Pode demorar um pouco para pegar algumas regras, entender as jogadas, mas isso se resolve com o tempo.”

Paulo Totti, jornalista

Paulo Totti, jornalista (Foto: Mateus Tamiozzo)

Para quem pretende se aproximar da área econômica, ele recomenda a leitura de dois grandes nomes internacionais, Hayek e Keynes, além de três clássicos da história econômica brasileira: Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda e Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado. “Para cobrir economia, o importante é entender o Brasil e o mundo. Não precisa ler sobre economia, especificamente.”

Na opinião de Totti, um bom repórter econômico é aquele que não escreve apenas para suas próprias fontes. “Desse jeito, o seu número de leitores não se amplia e você não democratiza a informação, o que é o mais grave”, afirma, antes de completar, “só que ao tentar deixar as coisas mais amigáveis, não se pode vulgarizá-las”.

Experiência. O primeiro contato de Paulo Totti com o jornalismo foi aos 14 anos, quando começou a trabalhar em uma redação de Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul. Em 60 anos, passou por importantes veículos do país, entre eles os jornais Última Hora, O Globo, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil e Valor Econômico, onde ficou até maio deste ano. Totti também fez parte da equipe fundadora da revista Veja, com Mino Carta, além de ter sido assessor de imprensa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante o governo Lula. Com a reportagem “China, o império globalizado”, recebeu o Prêmio Esso de Informação Econômica, em 2007.