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Pauta fria e pauta quente

Redação

25 Outubro 2011 | 08h00

Quando entrei na faculdade de Jornalismo, imaginava que a apuração de pautas quentes – as notícias inéditas – obrigaria o jornalista a passar o dia inteiro na rua gastando sola de sapato em busca de informações para a reportagem. Logo nas primeiras experiências profissionais, contanto, percebi que a regra, ainda que estimulada no ambiente acadêmico e usada em algumas editorias impressas, não se aplicava aos portais em que estagiava, nos quais eu não precisava sair da redação para apurar as notícias diárias – elas vinham de sites estrangeiros e o meu trabalho se resumia a traduzi-las e publicá-las.

Por outro lado, eu acreditava que as pautas frias – as notícias não inéditas – seriam mais tranquilas e, até certo ponto, fáceis, uma vez que permitiam ao jornalista um maior tempo para apurar e escrever. Novamente, enganei-me. É verdade que a pauta fria concede ao jornalista mais tempo para se aprofundar sobre o tema, mas ela cobra caro por isso. Se por um lado não há a pressão de concluir a matéria no fim do dia (à exceção do fechamento), por outro a exigência de uma apuração minuciosa e um texto impecável – tanto na estética quanto no conteúdo – mostra-se bastante acentuada. Como não segue necessariamente a pirâmide invertida, a pauta fria concede ao jornalista uma maior liberdade para a construção do texto – algo que, por sua vez, desafia a sua criatividade e capacidade de inovar e sair do lugar comum.

Foi somente na primeira semana na redação do Estadão, escrevendo pequenas notas e revisando textos, que tive contato com a correria da produção das pautas quentes, ainda que eu não saísse do prédio do jornal. Estagiando na editoria de Esportes via-me pressionado pelo horário cada vez mais próximo do fechamento e, ao mesmo tempo, buscando rapidez e concisão sem me descuidar da qualidade da apuração e do texto. Na semana seguinte, estagiando na editoria de Viagem, passei quase uma semana escrevendo a minha reportagem. Naquele momento, a maior pressão que sentia não vinha do relógio, mas do conteúdo que eu estava apurando, assimilando, filtrando e produzindo. De certa forma, esse parece ser o grande desafio do jornalista do meio impresso e, sobretudo, do meio digital.

Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)