‘Pesquisa é reportagem’
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‘Pesquisa é reportagem’

Redação

07 de dezembro de 2010 | 20h58

A afirmação de Edmundo Leite, coordenador do Arquivo do Estado e blogueiro, não é novidade, mas ele não se refere somente a alguns cliques em buscadores. Bibliotecas de empresas e arquivos públicos também entram na conta. É preciso dedicação para achar dados que contextualizam e de onde podem surgir pautas.

Foi o que fez o repórter do Metrópole Victor Hugo Brandalise, foca da turma de 2007, ao buscar fotos no arquivo do jornal para a matéria Como o Rio caiu na mão das facções, escrita por Bruno Paes Manso. Para Brandalise, a prática ajuda a trazer para a história para a realidade. “Você consegue ser mais justo com o que está vendo”.

Edmundo Leite ressalta que este tipo de pesquisa ainda é pouco usada devido à falta de tempo e conhecimento de suas possibilidades. “A pessoa só busca se souber que existe”, diz. É bom ter à mão um arquivo organizado, especialmente para matérias online. Existem programas feitos para isso, como o Filemaker e o Evernote, além dos formulários do Google Docs.

No arquivo do Estado, além das diversas publicações que incluem edições da Província de S. Paulo, de 1875, e uma compilação da revista Careta, de 1909, há uma pasta dedicada ao Focas. A primeira matéria sobre o curso, publicada no Jornal da Tarde de 10 de setembro de 1990, mostra que a prova aconteceu no mesmo prédio em que fizemos a nossa seleção. Candidatos de outras regiões já se interessavam pelo curso desde a 3º edição e alguns vieram de ainda mais longe em 1997, quando dois participantes eram estrangeiros. A predominância feminina é antiga: em 1998, por exemplo, o curso tinha 77% de mulheres inscritas. E uma foto chama a atenção dos que hoje não sabem o que é datilografar em uma máquina de escrever:

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Curso Estado forma sua 6ª turma de focas. Foto: Mabel Feres/AE

Há poucos dias, conversei com alguns focas sobre estes últimos três meses. Lembro que, no dia da prova, peguei emprestado o jornal do foca 20, Ivan Martínez, que hoje senta ao meu lado. Lembrei de nossa primeira matéria, quando, passeando com o professor Luiz Carlos Ramos pelo centro de São Paulo, vi um contrabaixo em uma janela da Rua Direita e descobri a antiga sede da Rádio Record. Lembrei de nossas viagens e das risadas nas tardes passadas na sala do curso.

E agora imagino se estas pessoas da foto acima ainda se conhecem, ainda se comunicam. Penso se eles guardaram estes momentos, que devem ter sido tão marcantes como os que vivi nos últimos meses. Vou guardar os meus com o método mais duradouro: lá nos fundos da memória, para nunca mais esquecer.

Henrique Bolgue, de 27 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), onde também cursa o último semestre de Audiovisual

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