Pirangueiro
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Pirangueiro

Redação

30 Novembro 2010 | 20h47

Outro dia, entre uma palestra e outra do curso, falei a palavra “pirangueiro” enquanto contava uma história, mas não fui entendida. “E agora, que palavra é essa, Carol?”, me perguntaram. Expliquei e achei engraçado como as pessoas não conheciam um termo tão presente no meu dia a dia.

Sou nordestina e, nesta edição, a única no curso. Já sabia disso antes de vir para São Paulo, o que me deixou ainda mais apreensiva para essa temporada. Cheguei cheia de receios: além de morar em outra cidade e Região, havia o medo de preconceito. No entanto, assim que entrei na sala e fui conhecendo melhor os meus colegas, essas questões foram desaparecendo. Como é com eles que passo a maior parte do tempo, me sinto muito confortável.

Ainda sou a que veio de mais longe, o meu sotaque tem acentos que chamam a atenção, algumas gírias minhas não são entendidas e tenho que explicá-las. Porém, também conheço mais do que os outros 29 focas uma região que está todos os dias em debate nos jornais e, por isso, consigo entender melhor algumas problemáticas e ir além das visões pré-concebidas.

O Nordeste é a Região com mais cidades-sede da Copa do Mundo de 2014: Salvador, Recife, Fortaleza e Natal, uma a mais do que o Sudeste. Por causa disso e também pelo potencial para os investimentos em infraestrutura, alto déficit habitacional e aumento do poder de compra, as grandes empresas nacionais e internacionais estão se deslocando para lá. Mas é preciso considerar que em cada Estado e cidade o modelo de desenvolvimento é diferente, sendo importante conhecer a história, política, economia e problemas sociais locais.

Quero conhecer São Paulo tão bem como o Nordeste e conseguir perceber algumas nuances que só enxerga quem convive com a realidade desse local. Assim também como os outros Brasis, de modo que os meus textos e relatos jornalísticos expressem cada vez mais a diversidade de vozes deste País.

Agora, para não deixar o leitor curioso, me explico: pirangueiro é usado para denominar uma pessoa com avareza – o conhecido mão de vaca ou muquirana.

Carolina Almeida, de 22 anos, é formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

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