Ponte desafia a cobertura policial
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Ponte desafia a cobertura policial

Carla Miranda

22 Outubro 2014 | 20h05

Por Gabriela Korman

O jornalista Bruno Paes Manso trabalhou como repórter por 10 anos no Estadão. Atualmente, faz pós-doutorado no Núcleo de Estudos da Violência da USP. Na Semana Estado de Jornalismo, ele conversou com os estudantes sobre sua mais mais nova empreitada: o site Ponte, um espaço para reportagens sobre segurança pública e direitos humanos.

A Ponte surgiu a partir da insatisfação de jornalistas com a cobertura do jornalismo policial. A associação busca cobrir, sob uma perspectiva diferente, as questões relativas à segurança pública. O grupo foca na cobertura das instituições que exercem poder, como a polícia, a Justiça e o crime organizado. Para Bruno, é possível fazer cobertura de segurança pública com qualidade. “O jornalismo policial de hoje reforça o senso comum e a sensação de medo ao invés de ter um olhar crítico e é isso que a gente quer contrapor”, explica.

Para Bruno o jornalismo tem duas funções principais. Uma delas é ser o cão de guarda da sociedade fiscalizando o poder. “Cabe ao jornalismo revelar a distorção desse poder e, a partir disso, fazer com que a instituição reveja essa ação”, argumenta. A outra é “olhar para dentro da sociedade”, seus conflitos, defeitos e dramas. “A partir do momento que a gente fala das nossas crises começa a pensar em soluções”, afirma.

O site, que existe há 4 meses, passa pelo desafio de fazer jornalistas pensarem num modelo de negócios além de escrever matérias de relevância e perspectiva diferentes das mídias tradicionais.

A gente leva em consideração os outros jornais, mas temos a visão que nosso papel no jornalismo é complementar as grandes empresas. Se eles cobrem de um jeito, damos um olhar complementar. Nosso ativismo é o jornalismo”, diz.