Por trás das reportagens: jornalistas contam como apuram suas histórias

Bruno Pires e Ângela Bastos conversaram com estudantes no primeiro dia da Semana Estado

Redação

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Por Victor Sena

Antes de uma grande reportagem ficar pronta, ou de um furo jornalístico ser divulgado, existem boas histórias que nem sempre chegam aos olhos e ouvidos do leitor. Foi sobre essas experiências que Ângela Bastos, repórter especial do Diário Catarinense, e Bruno Pires, repórter do Estado, discutiram no painel Bastidores da Reportagem, do primeiro dia da Semana Estado de Jornalismo 2018.

Depois de notar o crescimento de reportagens sobre a violência contra a mulher na zona rural de Santa Catarina, Ângela decidiu produzir o especial Sozinhas, que unisse essas histórias. De acordo com ela, esses casos acontecem ninguém notar.

“É muito difícil dar visibilidade à mulher que sofre violência e vive no campo. Elas quase não recebem visitas. É diferente de uma mulher que vive no espaço urbano. Ninguém vai ouvir o grito de socorro delas, diferentemente de um apartamento, de uma casa da cidade. Além disso, existe uma violência institucional do estado, que em pesquisas sobre dados rurais procuram sempre pelos ‘homens da casa’”.

No especial, que tem um formato multimídia na versão online, o foco está nos depoimentos de mulheres vítimas de violência de seus maridos. Muitas delas casaram ainda adolescentes. Para Ângela, fica claro que muitas não viam saída para a vida que tinham.

Breno Pires é jornalista de política do Estadão em Brasília e Ângela Bastos é repórter especial do Diário Catarinense

Desafios da grande reportagem

Entre os desafios de colocar projetos como esse em prática, a jornalista catarinense citou a necessidade de despertar a sensibilidade dos editores e dos jornais, o tempo de pré e pós-produção, além do custo e da falta de pessoal nas redações.

“Como lidar com isso tudo? Eu criei uma tática. Procurei sugerir temas relevantes, como violência infantil, abandono de crianças, imigrantes”. Outra tática da jornalista foi chegar ao seus editores com os dados para subsidiar sua pauta e evitar que eles tivessem dúvidas sobre o processo de apuração da reportagem.

Para ter acesso às mulheres, Ângela recorreu a pesquisadores universitários, políticos, sindicatos e o Movimento das Mulheres Camponesas.

Lista do Fachin

A dedicação à apuração também foi o destaque do furo de reportagem do Estado, produzida por Breno Pires, que revelou os políticos com foro privilegiados com envolvimento na Lava-Jato.

Em abril de 2017, o jornalista revelou que ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquérito de 83 políticos, incluindo ministros de estado, senadores e deputados.

Na época, todos os jornalistas estavam atrás da lista. Breno conseguiu os nomes a partir de um acompanhamento exaustivo e manual dos inquéritos enviados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Todas as decisões têm um código de autenticação. Foi basicamente a partir desses códigos que eu entendi que existia uma série de decisões lançadas em blocos. Então, consegui entender que dava para conseguir informações sigilosas.”

A dica que Breno dá para conseguir acesso a informações que parecem estar encobertas é procurar outros caminhos. “O jeito de conseguir passar na frente de vários repórteres que estavam cobrindo a Lava-Jato desde 2014 era encontrar um jeito ou um método de apuração diferente”, aconselhou.

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