Portal Voz das Comunidades quer mostrar o RJ além da violência
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Portal Voz das Comunidades quer mostrar o RJ além da violência

Projeto comunitário é financiado por empresas da própria comunidade e conta com a colaboração de voluntário para a produção de conteúdo

Redação

26 Setembro 2018 | 18h09

Por Pedro Alves

No Rio de Janeiro (RJ), todos os outros veículos só mostram a violência. Operações da polícia aparecem na TV o dia inteiro, a semana toda”, afirma a jornalista Melissa Canabrava, integrante do portal Voz das Comunidades. Iniciativa independente de jornalismo comunitário, o portal tem uma missão principal: explorar a cidade além do que costuma sair na grande mídia. “E os outros projetos? E as coisas boas? Isso não aparece. Nosso objetivo é mostrar que existem coisas além do tráfico, da violência e da luxúria em cima da pobreza e do armamento”, continua.

Criado em 2005, por Rene Silva dos Santos, o projeto faz uma cobertura das favelas cariocas partindo da perspectiva de quem mora nelas. O portal é independente e financiado por empreendimentos locais das próprias comunidades, além de parcerias com empresas e organizações que desejam utilizar do poder de circulação que o veículo de mídia tem entre os moradores locais. Hoje, o site conta com mais de 50 colaboradores, a maioria voluntários.

A jornalista Melissa Cannabrava representou o portal Voz das Comunidades, que pretende mostrar outro lado do Rio de Janeiro (RJ)

“A gente procura um equilíbrio. Não trabalhamos só com coisas boas, porque aí ficaria uma máscara. Mas mostramos a realidade”, afirma Melissa. A jornalista cita o exemplo de uma ocupação no complexo de favelas do Alemão, em 2010.  Segundo ela, à ocasião, a maior parte da mídia se informou apenas por fontes policiais, o que teria enviesado a cobertura do fato.

“Quando tem operação policial, os grandes veículos ficam na beirada, um bairro antes do morro. Quem vê acha que eles realmente estão lá dentro, de colete e capacete. A grande imprensa não entra na favela”, continua.

Para Melissa, a perspectiva é de crescimento de veículos independentes em um futuro próximo. “Diariamente, a gente vê novas página em redes sociais, sites pequenos. Está virando uma onda gigantesca. A mídia independente tem ganhado muita credibilidade enquanto as outras perdem. Essas páginas que estão começando agora vão ser as grandes mídias do futuro”, afirma.

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