Pra viver de frila
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Pra viver de frila

Redação

23 Novembro 2011 | 18h00

Jornalistas que conquistaram suas baias próprias na redação da Agência Estado. Foto: Thiago Queiroz/AE

O mercado jornalístico é selvagem e muitas vezes nós só percebemos essa realidade quando tentamos nos inserir no mercado, lá pelo segundo, terceiro ano de faculdade. É aí que vemos que o salário da categoria é realmente baixo, a carga horária é realmente extenuante e que tem um monte de gente que realmente quer sofrer nas redações e que concorre com você.

Mas se você curte mesmo o texto, só escrever, sem correr o risco de passar 12h em uma redação, trabalhar como frila pode ser uma boa. Trabalhar de casa exige uma dedicação enorme, mas compensa se pensarmos em organizar nossos dias de acordo com os horários em que estamos mais dispostos, em que o clima está mais gostoso, enfim, fazer pelo menos o tempo do nosso jeito. Outra grande vantagem é poder ver seu trabalho vinculado em mais de um veículo. Às vezes de uma vez, às vezes de vez em nunca. Mas é uma possibilidade bem legal.

Ontem um amigo me consultou sobre um frila que está fazendo. Queria saber se negociou o valor justo, uma dúvida frequente para todos que não tem intimidade com esse mundo paralelo às redações, e que muitas vezes salva edições inteiras. Como saber se o preço está bom?

Perguntei para Amanda Polato, amiga e ex-foca  que eu sei que entende desse mundo. Quando ela saiu do curso em 2008, fez muito frila antes de conquistar sua baia própria na redação. A dica da Amanda é boa e prática: usar as tabelas das organizações de jornalistas. As tabelas são objetivas e se os iniciantes nesse ramo cobrar com base nelas, a negociação fica séria, e o contratante respeita o frila.

Depois do post da Romina, que mostra onde conseguir trabalho, pensei em fazer este post simples, pra ajudar os frilas de primeira viagem a não serem explorados. A desvantagem dessa forma de trabalhar é que não há estabilidade, nem a garantia de um salário no fim do mês. O mínimo que se espera é ganhar o justo.

Amanda diz que “na maioria das vezes, são as empresas que oferecem o valor e você aceita ou tenta negociar. Quanto a pauta é de emergência, às vezes até oferecem um pouco mais”. Pra mim, o importante mesmo é saber negociar.

Além da tabela do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo que a ela me mostrou, também achei a da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais, confiável. Vocês conhecem mais tabelas boas, confiáveis para ajudar os que desejam iniciar agora a carreira de frila? A simples organização de preços é uma forma de ajudar a valorizar o nosso mercado.

Natália Peixoto Rodrigues, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela PUC-SP