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Primeira(s) vez(es)

Redação

06 Outubro 2011 | 16h30

Entrar em um cemitério pela primeira vez não é agradável. Acho que nem pela segunda ou terceira. Visitar uma delegacia não costuma ser passeio turístico. Como Foca 02, fui obrigada a conhecer estes dois lugares, que até então faziam parte só do meu imaginário. Nos meus pensamentos, os cemitérios eram mais tristes e as delegacias mais movimentadas. Mas o deslumbre de entrar em qualquer desses locais pela primeira vez não teve espaço no momento: havia ido em busca de pautas.

Outras primeiras vezes vieram no último mês, como consequência do meu estado de foca. Há uma semana, pela primeira vez, alguém projetava meu texto em um telão apontando cuidadosamente cada erro cometido para uma plateia de 29 pessoas. Dias depois, vi algo (bem pequeno, é verdade) escrito por mim ser impresso, pela primeira vez, nas páginas do jornal. Pela primeira vez, minha família prestou atenção deveras nas breves que ficam escondidas no canto da página do primeiro caderno, sem assinatura.

Entendi, pela primeira vez, a quantas é disputado o espaço no jornal. Pelos anunciantes, pelas editorias, pelos repórteres – entre um grupo e outro, e internamente. Percebi que não é ruim para um repórter (de plantão em um domingo à noite) se um correspondente não enviar o texto a tempo do fechamento. Graças ao desencontro entre o envio da matéria feita pelo colaborador e o horário do jornal, eu, pela primeira vez, ajudei a fazer o abre de uma página. Trabalhei feliz em um domingo à noite, pela primeira vez.

Pela primeira vez, em toda a minha vida paulistana – que é toda a minha vida -, fui a uma sequência de lugares-chave da cidade em um período tão curto: Praça da Sé, Anhangabaú, Parque do Ibirapuera, Câmara Municipal, Rua Augusta, delegacias, cemitérios variados.

Quantas mais primeiras vezes os próximos dois meses me proporcionarão? O verdadeiro sabor das últimas semanas foi descobrir lugares, sensações, pessoas, pela primeira vez, e de novo. Dentro ou fora do prédio do Grupo Estado, mas sempre motivada pela condição de foca que, espero, dure para a vida toda.

Deixo a pergunta para os demais focas (os outros 29 atuais e os de turmas anteriores): o que viveram pela primeira vez enquanto focas?

Beatriz Bulla, de 21 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero