‘Quanto menor a redação, mais inteligente tem que ser a cobertura jornalística’, diz Alberto Bombig
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‘Quanto menor a redação, mais inteligente tem que ser a cobertura jornalística’, diz Alberto Bombig

Carla Miranda

19 Outubro 2016 | 17h41

Por Lígia Morais

A primeira eleição que Alberto Bombig cobriu foi em 1998. Hoje, editor-executivo do Estadão, ele comenta durante a Semana Estado de Jornalismo a diferença da cobertura política da década de 90, período pós-redemocratização do Brasil, para a das eleições municipais de 2016. “A grande mudança que eu vi nesse período todo foi que o brasileiro se acostumou com o exercício da democracia”, diz. “As eleições já fazem parte da vida dos brasileiros”, comenta o jornalista.

Alberto Bombig, editor-executivo do Estadão, foi palestrante da Semana Estado de Jornalismo 2016, de 18 a 21 de outubro

Alberto Bombig, editor-executivo do Estadão, foi palestrante da Semana Estado de Jornalismo 2016, de 18 a 21 de outubro (Foto: Mariana Machado)

Apesar do enxugamento das redações, Bombig afirma que o avanço dos meios digitais auxilia bastante o trabalho da mídia. Nas primeiras eleições, o jornalista lembra dos ‘carrapatos’, os setoristas que acompanhavam o dia a dia dos candidatos. “Essa figura não existe mais, não é preciso, pois hoje onde o candidato estiver tem alguém com uma câmera ou celular”, afirma. Para ele, o acompanhamento diário dos políticos deve ser feito pelos veículos da internet e, ao jornal impresso, cabe a cobertura mais aprofundada. “Quanto menos pessoas, mais inteligente tem que ser a cobertura jornalística, os repórteres precisam fazer escolhas e ir atrás do que é de fato a notícia”, diz.

Na cobertura feita pelo Estadão, Bombig comenta que sentiu falta de um perfil aprofundado dos candidatos, especialmente do que venceu em primeiro turno na cidade de São Paulo, o João Doria (PSDB). “O jornalismo é uma imperfeição constante, então sempre falta algo na cobertura”, diz. O editor-executivo afirma que poderiam ter coberto melhor os temas que interessam à cidade, além do que foi escrito, por exemplo, sobre a redução da velocidade permitida nas avenidas da cidade. “Talvez nós não tenhamos aprofundado temas que interessam a periferia”, diz.

 

Para os ‘focas’

Para os jovens profissionais de mídia que desejam cobrir política e eleições, Bombig comenta que é preciso ter senso crítico apurado e não ser ingênuo. “O jornalista político precisa ser crítico e cético, não acreditar em ninguém e em nada”, afirma. Para ele, portanto, algo essencial é checar todas as informações que os candidatos passam para os repórteres. “É preciso tomar muito cuidado, porque o que aprendi na política é que os candidatos fazem de tudo para ganhar, e todos eles, independente dos partidos”, diz.

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