Recursos da tecnologia auxiliam experiência do leitor moderno
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Recursos da tecnologia auxiliam experiência do leitor moderno

Novas formas de apresentar a informação para o público que sejam diferentes do padrão textual foram o tema do painel “Programação e design thinking, novas habilidades em pauta”, no segundo dia da 12º Semana Estado de Jornalismo.

Redação

25 Outubro 2017 | 18h35

Por Luiz Fernando Teixeira

Novas formas de apresentar a informação para o público que sejam diferentes do padrão textual foram o tema do painel “Programação e design thinking, novas habilidades em pauta”, no segundo dia da 12º Semana Estado de Jornalismo. Os jornalistas Pedro Burgos, da Gazeta do Povo e ImpactoJor; e Adriana Garcia, da Orbital Mídia e Projor, discutiram como o uso dos novos formatos pode auxiliar o dia-a-dia dos jornalistas.

Pedro Burgos e Adriana Garcia. Foto: Júlia Belas

 

Pedro Burgos questionou a plateia, formada por estudantes de jornalismo de todo o Brasil, sobre qual o objetivo de fazer uma grande investigação e apresentar a informação. De acordo com ele, a melhor forma de escrever uma reportagem é não escrevendo, mas sim fazer um aplicativo. Por exemplo, o que seria melhor para o leitor: uma página com um liveblog de trânsito ou um mapa como o Waze?

Aí entra a programação. Com o auxílio do recurso, que ele mesmo domina há pouco tempo, é possível pensar na melhor maneira de apresentar informações para o público. “O Burgos Media Watch é um projeto que fiz em seis semanas e, desde então, não mexo mais. Ao invés de fazer  uma matéria todo domingo o que é mais publicado nas redes sociais, eu criei um programa que redesenha a página. São 160 linhas de código”.

O programador também defende que automatizar processos repetitivos, como a produção de relatórios, faz com que sobre mais tempo para que o jornalista possa produzir conteúdos de qualidade. “Uma das grandes virtudes do programador é ser preguiçoso, porque ele sempre pensa em uma forma de automatizar o serviço que não seja prazeroso”, brincou Burgos.

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Adriana Garcia seguiu com um raciocínio semelhante. A jornalista entende que o Design Thinking auxilia os jornalistas a processar dados que não teriam um bom impacto apenas como texto. “No jornal de papel, o jornalista é uma peça da engrenagem: ele escreve o texto e vai embora. Ele é quase alienado do processo todo. No digital não, o jornalista precisa entender como se faz o produto para estar dentro da discussão de como produzir conteúdo”.

Ela defendeu que é fundamental que a inovação no jornalismo tenha a presença de pessoas que pensem de forma diferente. Adriana Garcia sempre trabalhou com jornalismo de dados, inclusive por se considerar tímida para trabalhar na “linha de frente” das redações. Ela foi uma das pioneiras do Jornalismo com Auxílio do Computador (JAC) e começou a se questionar sobre como as empresas do Vale do Silício, como o Google e o Facebook, inovavam tanto que conquistaram um mercado que era do jornalismo verificado.

“Se o jornalista fica focado apenas na reportagem, ele não tem o controle”. Adriana acredita que, na produção digital, o profissional precisa sempre pensar em como a informação vai ser passada, dentro de que plataforma e qual será o público que a irá consumir.

Perguntas

Questionados pela plateia sobre como mostrar a importância do conhecimento de programação e design para os editores e diretores de jornais, ambos ressaltaram a necessidade de tempo para pensar. “Se você gastar um tempo na prototipação da ideia fica mais fácil conseguir tentar convencer a edição”, disse Burgos. “Quando você fica na máquina de moer carne é difícil parar para pensar na melhor forma de fazer as coisas”, completou Garcia.

O programador também comentou, de forma mais técnica, que a melhor linguagem para o jornalismo talvez seja o Python. Ele seria mais fácil de ler e não tem tantas especificações como R, C++ e outras. Mas, sobretudo, o domínio de ferramentas mais simples como o Excel pode ajudar muito os jornalistas a consultarem dados sem precisar saber programar bots e scripts.

A palestra acabou com uma discussão que mescla um tema que voltará a ser debatido na 12º Semana Estado de Jornalismo: o alcance da prática de fact-checking. “É muito lindo que a Agência Lupa, o Aos Fatos, e outros veículos preguem para convertidos. É muito difícil ver essas coisas chegarem aos grupos de Whatsapp que é onde elas se propagam”, disse Burgos.