Reflexões sobre a mulher e o jornalismo
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Reflexões sobre a mulher e o jornalismo

Redação

25 Novembro 2010 | 21h22

Até meados dos anos 80, as redações eram predominantemente masculinas. Hoje, no mercado paulista, as mulheres já são maioria na profissão. No entanto, ao longo do curso, alguns palestrantes contaram sobre determinadas apurações que não permitiriam uma presença feminina. Então veio a dúvida: ainda existe algum tipo de barreira à mulher jornalista?

A maioria das pessoas na redação acredita que não. Pelo menos não dentro do jornal. Mas pode ser que haja situações, apesar de raras, em que uma mulher encontre, sim, um obstáculo à sua cobertura jornalística.

Este é  o caso de locais onde há uma violência específica voltada contra as mulheres. A editora-chefe do Jornal da Tarde, Cláudia Belfort, dá o exemplo dos estupros na Bósnia, que foram usados como estratégia de guerra. “Há casos em que é complicado mesmo enviar uma mulher”, conta. O editor de Internacional do Estadão, Roberto Lameirinhas, concorda. “Evitamos mandar mulheres para alguns países muçulmanos. Não é uma regra, tanto que algumas repórteres já foram. Mas, às vezes, precisamos que alguém passe despercebido e uma mulher sem véu pode chamar muita atenção. Isso pode restringir um pouco o trabalho.”

No entanto, parece unanimidade que estas situações são exceções no cotidiano do jornalista. A editora de Metrópole do Estadão, Luciana Garbin, não conseguiu pensar em nenhuma vez em que um homem tenha sido escolhido no lugar de uma mulher. Perguntou aos seus colegas e nada. Por fim, um deles lembrou de uma cobertura sobre prostituição. Um homem havia sido selecionado para poder se confundir com os clientes do local. Ufa, pensei, isso é realmente incomum.

“Há muitas oportunidades de cobertura. Isso não prejudica a ascensão profissional de uma repórter”, tranquilizou-me Cláudia, do JT.

A experiente jornalista explica não há uma preferência em enviar homens para apurações perigosas. “O perfil de jornalismo independe do gênero. Situações extremas são arriscadas tanto para homens quanto para mulheres”, diz.

O diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e editor do Estadão, Marcelo Beraba, é de opinião similar. “As regras de segurança são as mesmas para todos. Tudo tem que ser avaliado caso a caso.”

Beraba mostra que a opção por gênero funciona para os dois lados. “Também pode acontecer de uma mulher ir no lugar de um homem. Na verdade, você seleciona o repórter pelo perfil, estilo e sensibilidade que a matéria requer.” As palavras do editor me fizeram pensar no quão valiosa é, para um jornal, a diversidade de seus repórteres. Que continuemos assim.

Marina Estarque, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)