Reportagens sobre segurança pública precisam ser repensadas e ter diferencial, dizem jornalistas
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Reportagens sobre segurança pública precisam ser repensadas e ter diferencial, dizem jornalistas

Cid Martins, da Rádio Gaúcha, e Bruno Paes Manso, do Monitor da Violência, discutiram com estudantes novos formatos para abordar a violência na mídia

Redação

24 Outubro 2017 | 20h41

Cid Martins (direita) e Bruno Paes Manso (esquerda) discutem propostas de cobertura sobre segurança pública

Por Paulo Roberto Netto

A reportagem investigativa sobre segurança pública requer um olhar diferencial, afirmou o repórter Cid Martins, da Rádio Gaúcha, no primeiro debate da 12ª Semana Estado de Jornalismo. A palestra foi realizada nesta terça-feira, 24, na sede do Estado , em São Paulo, e também contou com a presença do jornalista Bruno Paes Manso, do Monitor da Violência.

Um dos quatro autores da série “Regime Sempre Aberto”, que discutiu as falhas do regime semiaberto no Rio Grande do Sul, Cid Martins disse que o diferencial do especial foi a narrativa multiplataforma. “Reunimos quatro cabeças para pensar em como passar todo o conteúdo para os jornais, a TV e o rádio”.

A série foi veiculada em julho do ano passado na Rádio Gaúcha, na TV RBS e também foi publicada nos jornais Zero Hora e Diário Gaúcho. De acordo com Martins, algumas histórias foram reaproveitadas, mas com enquadramentos diferentes em cada veículo. “A gente usou a mesma entrevista, a mesma gravação, mas tentamos mostrar na rádio uma linguagem diferente da TV”.

Segundo Martins, outro diferencial foi o contato com as fontes, principalmente por se tratar de um tema sobre segurança pública. “Jornalista tem que conversar. Parar, analisar e ouvir as pessoas. Essa relação te traz informação e te dá outra versão além da oficial”.

Na segunda metade da palestra, o jornalista Bruno Paes Manso narrou sua experiência com o Monitor da Violência, plataforma multimídia do G1 criado em parceria com o Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com Manso, a cobertura jornalística de segurança pública precisa ser repensada, pois corre o risco de provocar mais medo do que soluções para o problema da violência. “Alguns programas policialescos hipnotizam pelo medo. É um entretenimento mórbido que só reforça o senso comum ao invés de desconstruir”, diz o jornalista. “Vem se discutindo nudez das crianças, mas ao meio-dia no Nordeste se mostra cadáveres sangrando na televisão”.

Como proposta de cobertura, Manso narrou o processo de criação do Monitor da Violência. Segundo ele, a ideia era criar uma plataforma para discutir e aprofundar a análise sobre os casos de violência em todo o país, principalmente no interior. O foco é apresentar o problema e trazê-lo mais próximo do leitor. “A gente se propunha a contar a história das pessoas que morreram”, diz Manso.

Manso afirmou que o objetivo da reportagem sobre segurança pública deve ser a discussão sobre a violência na sociedade. “É preciso criar uma constância e um engajamento”, diz. “É cobrar que as autoridades discutam o problema e engajar as comunidades afetadas pelo assunto”, afirmou Manso.

A 12ª Semana Estado de Jornalismo reúne alguns dos principais jornalistas do País para uma série de debates e palestras voltadas a estudantes de jornalismo. Nesta edição, alunos de 60 universidades de todo o País participam do evento, cujo tema é “Jornalismo em Rede”. Os universitários recebem certificado e podem concorrer ao 12º Prêmio Santander Jovem Jornalista, que dá ao vencedor uma bolsa de estudos para um semestre letivo na Universidade de Navarra, na Espanha.