Repórteres do Estado e Gazeta do Povo detalham cobertura da Lava Jato
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Repórteres do Estado e Gazeta do Povo detalham cobertura da Lava Jato

Carla Miranda

18 Outubro 2016 | 15h39

Julia Affonso e Kelli Kadanus, repórteres de política, falam sobre a cobertura da Lava Jato

Julia Affonso e Kelli Kadanus, repórteres de política, falam sobre a cobertura da Lava Jato

Por Elisa Clavery

O primeiro debate da Semana Estado de Jornalismo 2016, que destaca o tema “Grandes Coberturas: quando o jornalismo vira maratona”, teve a participação das repórteres Julia Affonso, do Estadão, e Kelli Kadanus, da Gazeta do Povo, de Curitiba. As duas falaram sobre a cobertura da Operação Lava Jato.

Julia, que trabalha na coluna de Fausto Macedo e fez o curso Focas no Estado em 2013, disse que um dos trabalhos dos jornalistas que cobrem a operação é acompanhar, 24 horas por dia, os processos nos sites lavajato.mpf.mp.br e www.jfpr.jus.br.

“A gente precisa estar muito atento na hora de apurar, ver item por item”, diz Julia, citando a reportagem publicada nesta segunda-feira sobre a venda de “vacas superfaturadas” pela empresa da família do ministro do Esporte, Leonardo Picciani, que surgiu a partir de um depoimento de acordo de leniência.

Julia diz, ainda, que o ideal é pesquisar nome por nome das empresas citadas em depoimentos, no site da Receita Federal. É dessa forma que os jornalistas da coluna descobriram a ligação entre a família Picciani e a empresa Agrobilara Comércio e Participações, que vendeu o gado.

Já Kelli falou um pouco sobre o trabalho de acompanhar coletivas de imprensa da Polícia Federal e do Ministério Público, que ela define como “maratonas”. A jornalista citou a cobertura da “lista do (Rodrigo) Janot”, quando o procurador da República enviou os nomes dos políticos citados nas delações para o STF. “A gente teve que fazer quase um trabalho de futurologia, imaginando quais políticos paranaenses poderiam ser citados”, diz Kelli, contando que há uma preocupação do jornal de fazer uma cobertura a nível local. “E a gente acertou todos”.  

A repórter lembra do momento em que ouviu o grampo entre Lula e Dilma. “Eu já estava em casa e comecei a apurar de casa mesmo, analisando os processos.” Ela conta que coloca dois despertadores para acordar pela manhã, mesmo nos dias de folga: “Um às 7h e, depois, às 8h, para ver se houve operação”.

Kelli mostrou, também, algumas matérias que fez, como a comparação entre a Lava Jato em Brasília e em Curitiba, e o perfil sobre o posto de gasolina que deu origem ao nome da operação.

“Quando o jornalismo vira maratona, todo mundo se ajuda”, acredita a repórter, que contou que os jornalistas de Curitiba, de vários veículos diferentes, criaram um grupo no WhatsApp para se ajudarem. “E ainda fazemos um churrasco tradicional da Lava Jato, todo fim de ano”, brinca.

Respondendo a perguntas dos participantes, Kelli disse que não tem graduação em Direito, mas que com o tempo aprendeu e se acostumou a ler os processos jurídicos. Julia destacou, também, que saber o rito processual é importante para a Lava Jato ou para qualquer cobertura de operações.

As duas consideram que é complicado que um jornalista se filie a algum partido político e, ao mesmo tempo, faça coberturas imparciais sobre política. “Como as paixões estão muito exacerbadas, a gente recebe críticas dos dois lados políticos, às vezes na mesma matéria”, diz Julia.