Retrospectiva
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Retrospectiva

Redação

09 de dezembro de 2010 | 14h25

Era 1º de setembro e 30 jovens jornalistas entravam na sala em que passariam boa parte dos seus dias nos próximos três meses. Quase todos os rostos eram desconhecidos, um ou outro colega de sala, de corredor de faculdade, mas, no geral, um bando de estranhos. E naquela semana aprenderíamos sobre como, com esforço, poderíamos ter uma carreira tão promissora quanto boa parte dos mais de 600 ex-focas do Estadão.

Com dez dias escrevíamos a nossa primeira matéria para o professor Luiz Carlos Ramos, já éramos a foto da 21ª turma e começávamos a decorar os nomes uns dos outros. E já podíamos nos considerar colegas.

Em 1º de outubro, a língua portuguesa e a filosofia já tinham sido aprofundadas. Conversamos com jornalistas mais experientes, um deles, ministro. As aulas de como se portar em ambientes formais também tinha ficado pra trás. Começávamos a passar pelas primeiras editorias. Pessoalmente, nos conhecíamos um pouco mais, brincávamos com nossos sotaques e queríamos saber um pouco mais das trajetórias dos nossos colegas.

Duas semanas depois éramos muito diferentes. O espanhol Paco Sánchez, que desembarcou na sala dos focas, nos ensinaria tanto sobre jornalismo que, dali em diante, tínhamos a certeza de que sairíamos profissionais muito melhores do que quando entramos. Os perfis que fizemos uns dos outros traziam para mais perto mesmo aqueles que estavam sentados mais distantes. E o Em Foca nascia, com, ironicamente, uma reflexão do que havíamos passado até ali.

Novembro começava deixando para trás as experiências de dois turnos das eleições, o contato com boa parte do alto escalão do Grupo Estado e uma viagem para o Rio Grande do Sul. Olhando o tempo que passou, creio que foi lá, em Santa Cruz do Sul, que os laços se estreitaram por completo. Nas viagens de avião, de ônibus, nos restaurantes, no hotel, foram 72 horas unidos, quase inseparáveis. E ali víamos 30 amigos aproveitando as oportunidades que a vida lhes havia dado.

Ao longo de novembro, nossa rotina mudaria completamente. Era hora de montar nosso suplemento. Para isso conheceríamos a fundo (literalmente) a cidade de São Paulo, uma experiência nova não apenas para os “estrangeiros”, mas também para os que vivem na metrópole. Enquanto isso, começávamos a aprender um pouco mais de política e economia. E reclamávamos de como o tempo havia passado tão rápido.

Quando chega dezembro, retornamos da Argentina com aquele sentimento de fim de festa. Faltam dez, nove, oito dias… “Meu Deus, acaba esta semana!” E queremos ficar mais perto, passar mais tempo juntos. Somos uma família – meio estranha, é verdade, já que não há mais velhos ou mais novos – em que todo mundo ri, chora, discute e se abraça numa comunhão que nunca imaginei que pudesse se efetivar em 90 e poucos dias.

É hora de pensar no futuro. De cada um escolher seu caminho. Sozinho. O ciclo, infelizmente, se fecha. Mas adianto aos focas que virão no ano que vem: nada vai te enriquecer mais nestes meses do que os outros 29 focas. Não perca eles de vista. Nunca.

Rodrigo Rocha, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP)

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