Rumos para a carreira jornalística: especialização ou ‘generalismo’?
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Rumos para a carreira jornalística: especialização ou ‘generalismo’?

Redação

17 Novembro 2011 | 13h56

Foto: Kevin Spencer / Creative Commons

Todo ofício tem seus dilemas. O jornalismo vive deles. E agora está na moda questionar a profissão e suas premissas mais ancestrais — eu mesmo já o fiz aqui. Gente que decide virar jornalista por causa da embalagem de Toddynho compõe a cereja no topo. O bolo de falta de estímulo é feito de uma crescente crise de credibilidade, iniciada com a velocidade lúdica da internet e fermentada pelos recentes escândalos da News Corp. Mas há inquietações mais práticas e urgentes para estes focas.

Não há consenso, por exemplo, sobre o que é mais acertado na carreira jornalística:

– buscar especialização num tema (ou grupo restrito de temas), e se tornar referência nessa(s) seara(s), geralmente como repórter especial ou editor setorista;
– ou manter-se aberto, generalista, disposto a cobrir várias áreas e se dedicar a estudar o jornalismo em si, incluindo suas esferas administrativas, para chegar a cargos como o de diretor de redação e gerente de conteúdo.

Claro que há nuances entre esses dois polos, mas, grosso modo, eles se excluem no dia-a-dia profissional. Mais que optar entre uma das alternativas (ou virar um Fausto do jornalismo e tentar empreender ambas ao mesmo tempo), não sabemos o momento de optar. Até quando dá tempo?

Vivo este dilema hoje, conforme minha pós-graduação avança, meu gosto por ela também, assim como meu interesse por economia, cenário internacional e cultura, os três eixos que estruturam o curso. Uma das opções de trabalho de conclusão da pós é a entrega de um pré-projeto de mestrado. Estou deixando essa ideia de lado por enquanto. Vou terminar o curso e procurar aplicar no jornalismo as centenas de horas de leituras e dissertações. Vou viver para contar. Se a instigação, a aspiração intelectual por um mestrado (e todas as responsabilidades que esse tipo de projeto pressupõe) vier, então volto à academia. Até lá, apenas sigo, experimento, descubro, paro, reparo e crio meu caminho.

Nunca provei do bolo da desilusão com o jornalismo. Tive alguns dias ruins, como se tem em qualquer profissão. No mais, posso dizer que fiz uma escolha sóbria, talvez por sorte. E talvez meus 22 anos “ainda” deem margem para sonhos — só saberei daqui a umas décadas. Aí conversaremos de novo.

José Gabriel Navarro, de 22 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e cursa pós-graduação lato sensu em Globalização e Cultura na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo