Saia da nostalgia
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Saia da nostalgia

Redação

09 de dezembro de 2010 | 15h30

Deu até vontade de voltar para casa e vasculhar o conteúdo da quarta gaveta da minha escrivaninha. A conversa com o coordenador do Arquivo do Estado, Edmundo Leite, me fez pensar no meu mini-museu. Lá estão algumas fotos, bilhetes trocados na época do colégio, coração de papel, flor de guardanapo, cartas (de 2001!) que recebi de amigas que estavam fora do País, entre outras lembranças. São pedacinhos da minha história, parte de um arquivo pessoal. Itens que podem ser resgatados a qualquer momento, caso eu queira exercitar minha memória. Exercício este que, no universo jornalístico, tem tudo a ver com boas histórias — como nos ensinou Edmundo.

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Veja como ele conseguiu tirar do passado três assuntos e conectá-los ao presente:

Memórias do bunker: Glauco e Henfil
No dia da morte de Glauco (12 de março de 2010), Edmundo fala da influência de Henfil na vida do cartunista e do período em que viveram, sob o mesmo teto, com Angeli e Laerte.  O texto fica rico com o uso de cartuns, trechos da biografia e detalhes que não foram mencionados em nenhum veículo naquele dia. Para escrevê-lo, Edmundo foi para casa, onde havia material bom sobre o cartunista. O post ficou pronto em cinco horas.

As insanidades de Lula
Em março de 2010, ao visitar Cuba, Lula questiona a greve de fome de um opositor político cubano. Edmundo aproveita o assunto para contextualizar a posição do presidente em relação ao tema, a partir de matérias antigas. “(…) o próprio presidente Lula se antecipou às objeções de que já utilizou esse recurso quando lutava contra a ditadura militar brasileira e classificou a sua antiga atitude de recorrer ao jejum para protestar como ‘insanidade’”.

Uma curiosa revista argentina
Depois de viagem à Argentina, surge a ideia de um post que combinasse revista para maconheiros (THC) e a prisão de Rita Lee e Gilberto Gil por porte de maconha, contada pelo Jornal da Tarde (vale a pena ver o antológico vídeo do julgamento de Gil).

Exemplos simples, com boas sacadas, inspirados em puro arquivo. Passeio pela memória. “É preciso sair da nostalgia, pessoal”, aconselha Edmundo. “Comecem a criar um acervo próprio.”

No meu, ainda sem muito material jornalístico, os itens da foto serão provavelmente os próximos a serem arquivados (lembranças do curso). Mas um acervo mais profissional (com matérias e fotos interessantes encontradas por aí) eu começo a construir agora, depois das preciosas dicas de um apaixonado por memória.

Nayara Fraga Sampaio, de 24 anos, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)

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