Semana Estado começa com debate sobre novas plataformas de jornalismo
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Semana Estado começa com debate sobre novas plataformas de jornalismo

Carla Miranda

20 Outubro 2015 | 16h04

O diretor de Desenvolvimento Editorial do Grupo Estado, Roberto Gazzi. Foto: Della Rocca/Santander

O diretor de Desenvolvimento Editorial do Grupo Estado, Roberto Gazzi. Foto: Della Rocca/Santander

Por Igor Patrick

Começou na tarde desta terça-feira (20), mais uma edição da Semana Estado de Jornalismo. Com a proposta de discutir o papel do jornalismo no contexto atual, o evento foi aberto pelo diretor de Desenvolvimento Editorial de Grupo Estado, que saudou os estudantes e alertou para a importância da figura do jornalista. “O Esso acaba de dar o prêmio de contribuição para o repórter, um reconhecimento à essa figura fundamental que vocês serão no futuro, que vão levar a bandeira do jornalismo adiante”, afirmou.

Palestrante convidado, o professor de comunicação e idealizador do “Projeto Humanos”, Ivan Mizanzuk, abriu o ciclo de palestras falando sobre um novo formato de contar histórias que atrai cada vez mais audiência: os podcasts. Formatos digitais jornalísticos em áudio, os podcasts já começam a abocanhar a audiência de veículos de rádio tradicionais. Já há quem atribua a eles o título de precursores da “nova era de ouro do rádio”

“Por muito tempo se confundiu podcast com o formato de conversa de bar por aqui, já que o mais conhecido no Brasil é o Nerdcast”, conta Mizanzuk sobre o programa do site Jovem Nerd. Com uma taxa de 800 mil downloads por semana, o Nerdcast define temas e conversa sobre o assunto com referências da cultura pop e bom-humor. Ivan, porém, preferiu investir em um formato diferente: o jornalismo narrativo.

A inspiração veio do “Serial”, podcast lançado no ano passado pela jornalista Sarah Koenig, que recontava o caso de homicídio ocorrido em 1999. Em 12 episódios, a jornalista narra reviravoltas na história de Adnan Syed, condenado a prisão perpétua pelo homicídio da sua ex-namorada. Os dois frequentavam uma escola secundária na cidade de Baltimore, no estado do Maryland. A série foi premiada com o Peabody, uma das condecorações mais prestigiosas do jornalismo.

Por aqui, Mizanzuk escolheu falar de Lili Jaffe, uma iugoslava judia que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz e escreveu um diário sobre suas experiências lá. O projeto já teve mais de 10 mil downloads e o criador já prepara uma segunda temporada. “Isso é muito louco, eu vou em lugares em que sou famoso por isso (o projeto) e outros em que sou um completo desconhecido, o que diz muito sobre essa era da internet em que conteúdo cada vez mais é direcionado pra nicho”, completou.

Longo formato na internet é opção para histórias mais complexas

O segundo convidado no painel foi ex-Foca do Estadão e repórter do caderno Aliás, Vitor Hugo Brandalise falou de um projeto que lhe consumiu oito meses de apuração: “Sobre a Sede”. Publicado no site Brio, a história acompanha a história do sr. Nelson Golla, que, ao ver a esposa com quem foi casado por 50 anos definhando após uma série de AVCs, decidiu se explodir com ela usando uma bomba caseira. O texto, de quase 70 páginas de Word, saiu em capítulos, como um livro.

“Foi um projeto que me ocupou. Saiu uma notinha na Folha e eu fui atrás depois de perceber que ninguém ia”, contou. “O casamento com o Brio ajudou demais, é uma plataforma de longo jornalismo fora das grandes redações e que fiz como freela mais pelo interesse e pelo envolvimento que tive com a história”. A reportagem também foi publicada ao longo de quatro semanas nas edições semanais do caderno Aliás, no Estadão.

Os dois defenderam o envolvimento emocional na apuração da reportagem. “Tem muita gente que acha que isso prejudica, eu já acho que as melhores reportagens que vocês vão fazer na vida vão ser as que mais vocês vão se envolver”, disse Vitor. “Eu acho que é o diferencial, ter emoção ao gravar me ajuda a captar a emoção na voz da pessoa, que é o que muda em relação ao texto. Quando você escreve, é você quem dá o tom, no caso do podcast, isso é passado pela entonação do entrevistado”, completou Ivan.