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Especialistas falam do desafio de aproximar o jornalismo econômico do público

Fotos do segundo dia da Semana Estado de Jornalismo: Aproximando a economia do leitor, com Bruno Ferrari, Cley Scholz e Paulo Totti.

Redação

23 Outubro 2013 | 15h25

Fotos do segundo dia da Semana Estado de Jornalismo: Aproximando a economia do leitor, com Bruno Ferrari, Cley Scholz e Paulo Totti.

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Texto: Fernando Arbex

Fotos: Felipe Resk

“Aproximando a economia do leitor” foi o tema do primeiro bloco de palestras do segundo dia da Semana Estado de Jornalismo, nesta terça-feira (23). O primeiro a falar foi o editor de tecnologia da Exame, Bruno Ferrari, que trouxe como exemplo uma reportagem de capa da revista que foi consolidada a partir de um estudo do Fundo Monetário Internacional.

Retratando o desafio da classe média de países que emergiram, a equipe de Bruno teve de insistir com o FMI para que atualizassem o estudo até 2013, já que inicialmente a análise ia até 2009. Também conversaram com especialistas e vencedores de prêmios Nobel.

“Não importa se parece impossível, tente todas as fontes”, aconselhou Bruno. Outro recurso foi o de comparar famílias sul-coreanas com brasileiras, já que os dois países estavam no mesmo estágio na década de 70, mas a nação asiática teve resultados melhores em pesquisa, daquela época até hoje.

Em seguida, o editor de economia do portal do Estadão, Cley Scholz, disse que o primordial é contar boas histórias. Além disso, ele ressaltou que é importante que os profissionais saibam qual é o objetivo: “Deve-se evitar o chavão, a palavra estrangeira, ser claro. O repórter tem de traduzir para o leitor o que o especialista está falando”.

Scholz diz que o usuário do portal gosta de matérias que lhes ajudem no dia a dia, como o blog “Descomplicador”, que ajuda o leitor a entender temas político-econômicos tidos como difíceis. Ele também acha importante utilizar ferramentas como as do “Google Analytcs”, para entender o gosto do usuário, e junto das reportagens colocar links relacionados de temas parecidos. Divulgar o conteúdo nas redes sociais também é importante, diz Cley, principalmente para puxar o público jovem.

O terceiro a conversar com os estudantes foi Paulo Totti, jornalista especializado em economia, que destacou o repórter como o aspecto mais importante do processo jornalístico. “Um texto mal escrito não sobrevive às primeiras cinco linhas de leitura”, disse, afirmando que é essencial que o profissional tem o dever de democratizar a informação, publicando depois de muita apuração.

Paulo admite a legitimidade de matérias baseadas em estudos, mas entende que o jornalista deve ser também analítico – além de só um reprodutor da informação –, instigando que a partir do trabalho dele estudos sejam feitos.