“Seo” Alair e a queda dos ministros de Dilma
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

“Seo” Alair e a queda dos ministros de Dilma

Redação

03 Novembro 2011 | 12h09

BRASÍLIA – Segunda-feira, 31 de outubro. Pela sexta vez neste ano a agenda da Presidência da República trazia dentre os demais compromissos de Dilma Rousseff a participação na cerimônia de posse de um ministro de Estado. Desta vez, quem estava ao lado da presidente era Aldo Rebelo, o escolhido após dezenas de reuniões e acertos políticos do PCdoB – partido que detém o comando do ministério.

Um semana antes, quando Orlando Silva foi afastado da pasta, jornalistas setoristas da Presidência da República confirmaram: “seo” Alair apareceu com sua caixa cheia de cocadas pela Esplanada dos Ministérios. O vendedor virou uma lenda entre os coleguinhas que acompanham a cobertura política na capital. Desde a queda do primeiro ministro do governo Dilma — Antônio Palocci deixou a Casa Civil da Presidência após a notícia de que seu patrimônio teria aumentado 20 vezes nos últimos quatro anos e as suspeitas de tráfico de influência em favor de sua empresa de consultoria — o clima no comitê de imprensa do Palácio do Planalto passou a ser de grande expectativa.

Como bem descreveu o jornalista Chico de Gois, do jornal O Globo, há 5 anos na cobertura diária da Presidência, os dias no aquecido comitê de imprensa do Planalto — sem ar condicionado e nessas épocas com ainda mais gente — fervem. “Todos na espera da degola. Mas a excitação não termina com a queda. Depois vem a bolsa de apostas de quem será o substituto”, destacou Gois.

A excitação, acompanhada de horas de trabalho estendidas, fome, sono, e muitas vezes, irritação, foi a mesma nas queda de Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo). E, em todas essas vezes, lá estava o vendedor das deliciosas cocadas que tornam os dias dos jornalistas menos penosos e, inclusive, já salvaram alguns de bruscas quedas de pressão após horas sem comer. Com Orlando Silva não foi diferente. Sem que ninguém o chamasse, lá estava “seo” Alair. E lá se foi o sexto ministro.

A brincadeira foi puxada pela repórter da CBN Nara Lacerda no caso Palocci. Na troca de Luiz Sérgio com Ideli Salvatti – o primeiro passou a chefiar o Ministério da Pesca, enquanto a ex-senadora assumiu a Secretaria de Relações Institucionais – a presença de “seo” Alair começou a ficar marcada. Surgia uma denúncia contra alguma pasta, o medo da aparição do simpático senhor, surpreendentemente magro (surprendende pelo sabor sem igual de seu produto, que além de ter salvo, já gerou muito peso na consciência de muitas jornalistas, que nunca conseguiam dar apenas uma mordida na cocada), começou a se tornar real.

Quando, após dias de incerteza, sucessões de denúncias, o ministro ainda permanecia no cargo, não era incomum algum coleguinha soltar no comitê de imprensa do Palácio do Planalto. “Vou chamar o ‘seu’ Alair”, e ser respondido com uma série de lamentações: “Não!”, “Ah, meu Deus, é hoje”.

Desde setembro, quando troquei a cobertura da Presidência pela companhia de outros 29 focas, ouço relatos dos coleguinhas que ficaram. E a lenda urbana de Brasília, dizem fontes oficiais da cobertura política na capital federal, continua à solta, deliciando com suas cocadas, e derrubando ministros pela Esplanada. Que se cuidem os não queridinhos da presidente com rabo preso. “Seu” Alair pode aparecer a qualquer momento.

Débora Álvares, de 23 anos, é formada em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB)