Sérgio Spagnuolo: ‘Jornalismo de dados vive seu melhor momento no Brasil’
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Sérgio Spagnuolo: ‘Jornalismo de dados vive seu melhor momento no Brasil’

Fundador da agência Volt Data Lab fala sobre checagem de dados e criação de pauta a partir de dados

Redação

28 Setembro 2018 | 18h29

Sérgio Spagnuolo (à esquerda) participou do painel ‘Juntando os pontos’ ao lado de Daniel Bramatti (Caio Blois)

Por Vinícius Passarelli

Num momento de intenso debate político na sociedade brasileira, a imprensa e o jornalismo praticado por ela são elementos que estão presentes nas discussões. E duas abordagens relativamente novas no jornalismo nacional têm mostrado resultados satisfatórios: a checagem de fatos e o jornalismo de dados. Tanto os grandes veículos, quanto às novas iniciativas de jornalismo têm investido nessas duas vertentes.

“Hoje em dia, no Brasil, têm surgido várias pequenas iniciativas de jornalismo e elas estão crescendo: o Jota, o Nexo, Aos Fatos, Agência Lupa. Elas chegaram para ocupar um espaço que a grande imprensa, por mais importante que ela seja, não vinha conseguindo ocupar e estão tendo bastante sucesso”, afirmou Sérgio Spagnuolo, fundador e editor da agência de jornalismo de dados Volt Data Lab.

Spagnuolo foi um dos palestrantes do painel “Juntando os Pontos”, da Semana Estado de Jornalismo, que tratou sobre jornalismo de dados e combate às fake news. Segundo ele, o trabalho de checagem feito pelas agências que surgiram e dos próprios veículos tradicionais de comunicação tem cumprido seu papel de fiscalizar e averiguar o discurso dos candidatos nos debates, entrevistas e pronunciamentos. Porém, ressalva que esse esforço não pode se restringir ao fact checking.

“No meio de um turbilhão de desinformação que existe, ficar unicamente no trabalho das agências é enxugar gelo. O trabalho é importante, mas o jornalismo inteiro precisa trabalhar para fazer uma cobertura excelente das eleições”, opinou o jornalista.

Com relação ao jornalismo de dados, Spagnuolo considera que a modalidade vive seu melhor momento no país. “Hoje em dia, como cresceu essa especialização dentro do jornalismo, se criou um ambiente de estímulo a essa prática e começou a dar muito resultado também”, avaliou.

Para ele, os grandes veículos perceberam o potencial de se trabalhar com dados e obter pautas relevantes a partir deles. “Os veículos começaram a entender que essa é uma área importante e começaram a investir nisso. Então, eu acho que o momento é bom, mas ainda não é o ideal. Precisa investir mais, contratar mais gente, desenvolver mais conteúdo e aumentar a capacidade técnica das pessoas”, completou

Outro aspecto importante do jornalismo de dados é o fato dele não depender de uma grande estrutura para ser feito, o que possibilita que novos veículos e iniciativas independentes possam também praticá-lo com qualidade. “Obviamente, se eu crescer, eventualmente vou precisar aumentar a estrutura. Mas quando a pessoa está começando a investir, ela consegue fazer coisa muito legal com muito pouco”, explicou.

Para os jovens jornalistas que tenham interesse em trabalhar com jornalismo de dados, Spagnuolo aconselha que concentrem seus esforços  no aprendizado técnico e no domínio das principais ferramentas – planilhas, gráficos e softwares de programação. Organizações como a Abraji e a própria Volt Data Lab oferecem cursos de capacitação para a área. Ele alerta que é muito comum as pessoas desistirem quando começam a estudar para trabalhar com dados, por considerarem muito técnico e, portanto, difícil.

“A curva de aprendizagem é muito íngreme, demora para você aprender, mas quando você aprende você já fica no topo. Então tem que ser insistente”, concluiu.