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Sessão tortura

Redação

03 Outubro 2011 | 23h00

O clima amistoso e descontraído que têm marcado as aulas deu um lugar a um silêncio tenso na última quarta-feira, dia 28. Era chegada a temida a hora da correção do primeiro exercício proposto por Carla Miranda, aquele que fez os focas irem à rua em busca de pautas sobre diferentes temas.

A tensão era justificada. Carla, a editora do nosso caderno especial, não nega a fama que circula entre os focas sobre seu perfil crítico. Ela iria destrinchar nossos erros, indicar as falhas da apuração e, eventualmente, acertos de cada pauta. Detalhe: os textos seriam exibidos no telão para todos os colegas, com a indicação em vermelho de suas correções.

Muitos estavam apreensivos com este detalhe, mas a verdade é que, como jornalistas, escreveremos textos que serão lidos por milhares de pessoas que, diariamente, compram e acessam os jornais. Não havia, portanto, razão para receios e vergonhas.

Como Foca 01, fui a primeira vítima. Carla já havia alertado: o primeiro texto a ser corrigido é sempre o mais prejudicado. Dito e feito, todos os erros possíveis e imagináveis foram apontados e, ao fim, o texto projetado na tela parecia um grande mar vermelho. Dicas de estilo, termos adotados no Manual de Redação, erros de português, falhas de apuração. Tudo estava discriminadinho na tela, aos olhos dos colegas como exemplo para futuros exercícios.

Todos passaram pelo martírio e, terminada a sessão de tortura, a sala jazia em silêncio, algo atordoada com o feedback recebido. “Mas ninguém chorou desta vez”, lembrou a Carla, em tom de brincadeira, lembrando seu tempo de foca. Com a experiência de quem viveu todas as etapas deste processo, e vive ainda buscando o melhor do jornalismo, Carla nos lembrou que a proposta era dar um choque de realidade aos focas, e mostrar o caminho de pedras que é desenvolver uma pauta, apurar corretamente e emplacar uma boa matéria.

O caminho é penoso mesmo, e nós voltaremos a ele, à rua, em busca de resultados melhores no telão – e, futuramente, nas páginas do jornal.

Antonio Pita, de 24 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

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