Só personagens não fazem notícia
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Só personagens não fazem notícia

Redação

08 de dezembro de 2011 | 14h00

Carla Miranda nos alertou durante a correção de nossas matérias logo nas primeiras semanas de curso: “Jornalistas costumam ‘provar’ qualquer tese quando encontram três personagens que digam ou façam aquilo”. Dando exemplos hilários, Carla disse que deveríamos ter muito cuidado para não apresentar exceções como se fossem regras, evitando mostrar falsas tendências, um problema somente resolvido com uma rigorosa apuração, como a feita por nós para o caderno especial de fim de curso (nas bancas neste sábado, 10), supervisionado por ela mesma, quase três meses depois daquela aula.

Para transformar nossas pautas em matérias dignas de publicação, deveríamos encontrar, sim, pelo menos três personagens bastante interessantes, com histórias curiosas e que justificassem a produção de uma matéria, mas o que eles dissessem teria de encontrar respaldo em pesquisas quantitativas, dados estatísticos ou na opinião de especialistas. Por outro lado, obviamente, de nada adiantaria termos os dados e as análises especializadas se não tivéssemos bons relatos sobre experiências de vida. Somente assim, viria a certeza de não estarmos inventando nada.

A importância dos personagens é aproximar o texto do leitor, gerar empatia e provar que aquele assunto se aplica na vidaprática, não se resumindo a números frios ou estudos sociais e psicológicos. Eles são a prova de que a notícia existe em algumas circunstâncias, mas não são a notícia em si, pois, apesar de fornecerem informações preciosas, talvez não saibam direito em que contexto estão envolvidos

Caso não contrastássemos as informações obtidas junto aos personagens com as dos especialistas ou das pesquisas, a chance de transformarmos algo inusitado em regra seria grande, já que é fácil encontrar pessoas diferentes desempenhando atividades diferentes – e nos basear nas declarações delas. A consequência, então, seria uma das mais graves quando o assunto é Jornalismo: confundir o leitor em vez de informá-lo.

Reinaldo Adri, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Para o Desenvolvimento do Estado Região do Pantanal

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