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Sobre escolhas e decisões

Redação

29 Setembro 2011 | 23h59

O jornalismo surgiu na minha vida meio por acaso. Foi se lançando como uma ideia vaga, um sonho distante de quem escrevia poemas e achava que fazer jornal era como fazer um pedaço de livro todos os dias. Das aulas de português e literatura e de minhas leituras de Machado de Assis e Erico Verissimo, foi surgindo o desejo de ser escritora. Como caminho para chegar a esse sonho eu tinha duas opções: Letras e Jornalismo.

O primeiro esbarrava no meu medo de enfrentar uma sala de aula; o segundo parecia muito distante para minha realidade. Não me lembro exatamente quando tomei a decisão de que seria mesmo jornalista. Sei que nos últimos oito anos tenho lutado por esse sonho. Mesmo com dúvidas, medos, incertezas e inseguranças. Redação ou assessoria de imprensa? Setor público ou setor privado? Tive que mudar conceitos. Alguns mudaram completamente. O desejo de ser escritora foi acalmando aos poucos. Realizado em parte com o meu livro-reportagem feito como conclusão de curso, mas ainda esperando para desabrochar em algum canto de mim.

Descobri que nem todas as palavras rebuscadas que eu colecionava aqui e acolá em minhas leituras era adequada para os jornais em que eu trabalharia. Descobri também que não dava para ser jornalista e ter fim de semana. Não ia dar para sair às 17 horas em ponto, todos os dias, nem programar feriados. Talvez não fosse possível enriquecer logo após a formatura… Depois de entender tudo isso, que nem passava pela cabeça da adolescente tímida do interior de Minas Gerais, restava saber se a escolha era certa ou não. Confesso que ainda não sei a resposta.

Nas aulas do curso e nas redações do Estadão, entre uma pauta e outra, amplio a minha visão sobre a área e a atuação do profissional de jornalismo. Crio novos sonhos e faço amigos. Na manhã fria em que fiz a prova para o Curso, achei tudo muito difícil. Não me passava pela cabeça conseguir fazer parte deste grupo. Mas veio a resposta da prova, veio o resultado da entrevista. Amigos me incentivaram, a família me apoiou e estou aqui. Dizem que é ruim a gente sempre ter certeza das coisas. Enquanto eu não descubro as respostas que me afligem, invisto nessa profissão que me atrai por que possibilita descobrir e contar histórias, encontrar pessoas interessantes e usar meus textos para noticiar e informar, e desta forma, contribuir (nem que seja um pouquinho) para a construção da história.

Talita Matias, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas

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