As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Sobrenome com responsabilidade

Redação

18 Novembro 2011 | 18h41

Algumas pessoas não precisam passar por isto. Se escolhem jornalismo, chegam ao primeiro ou ao segundo ano de faculdade com o nome escolhido. Não foi o meu caso. No terceiro período do curso, na primeira matéria de jornal experimental, o professor começou toda uma inquietação:

– Já definiram como vão assinar as matérias?

Foi a primeira vez que ouvi essa pergunta. Mas a repetiram muitas vezes depois. O negócio é que nas muitas vezes depois eu já havia definido. Depois de pedir algumas opiniões, escolhi Carvalho, pra ficar simples e não precisar soletrar. Sobrenome do meu pai. É assim, de forma simples, mas também emotiva e racional, que costumamos escolher aquilo que vai ser nossa marca, nossa grife, nossa assinatura.

No entanto, essa coisa de assinar matéria nem sempre foi assim, houve épocas em que a estampa do nome do repórter não saia e ele ficava sob a guarda do veículo em que trabalhava. Só que essa relação de autoria leva a questões mais amplas do que o umbigo do nome de cada um. Situações até trabalhistas. Quando existe alguém por trás da matéria que fere, que erra ou que mente, é contra ele, por exemplo, que muitas vezes vai o processo judicial. Ou, sendo menos drástica, o jornalista atrás daquela marca será o remetente da cobrança. Mas o contrário também vale e a personificação do texto pode dar louros ao autor.

Pensando bem, concordo com a assinatura, pois acredito que somos diferentes, embora possamos trabalhar em um mesmo lugar com uma só linha editorial. Sobretudo, devemos ser responsáveis pelo que escrevemos. Não podemos nos esconder. Mas devemos tomar muito cuidado, afinal, é nossa reputação. Acredito que o melhor a fazer é sempre só assinar o que realmente fizemos, muito mais que no sentido óbvio do “não copiarás”, mas em relação às ideias prontas que compramos de outros por pressão ou simples falta de questionamento. Além disso, só assinar aquilo que temos certeza. “Na dúvida, não publique”, ouvimos sempre por aqui.

Mas por que isso tudo? Devo confessar, dia desses, na sala dos Focas, sugeriram que eu mudasse minha assinatura. “Pianes [sobrenome da minha mãe] é mais forte”, disse o Luís Carrasco, sendo logo seguido pelos meus amigos vizinhos. Surgiu a dúvida, mas fica a reflexão. Como em qualquer tipo de documento, todos sabem, sempre leia antes de assinar – mesmo as letras miúdas do jornal. Um nome em uma matéria errada e é a nossa carreira que está em jogo.

Jacyara Pianes H. Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)