Sorvetes e sexagenários
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Sorvetes e sexagenários

Redação

05 de dezembro de 2010 | 17h56

Viajávamos, eu e meu avô. Chorei, esperneei, lutei até convencê-lo de que nada, nada mais nessa vida era tão importante quanto eu comer um sorvete de chocolate. Não era um simples sorvete. Era lindo. Desses de tevê. Imponentes, mágicos, sedutores, escorrendo pela taça. Fabulosamente intocável. Quase sensual.

Venci. Ganhei meu sorvete. Diante de mim, ele era um adversário. Um amado inimigo enfrentando minha colher em riste. Preparei meu ataque e, lambendo os beiços, desferi punhaladas e punhaladas. Pedaço a pedaço, joguei-o goela adentro, ferozmente. Conforme derretia em minha garganta, o doce acariciava meu coração. Lambuzava-me, sujava-me. Gracioso.

Conforme destruía aquele gigante gelado, uma angústia se abatia sobre minhas costas. Caso fosse uma balança, meus ponteiros marcariam toneladas e toneladas, multiplicando-se cada vez mais rápido, conforme o fundo da taça se tornava mais visível.

Regido por uma orquestra que só eu ouvia, saboreei-o como se, em um estalar de dedos, alguém fosse capaz de decretar a “desinvenção” do sorvete. Somei banquinho, sobremesa, camiseta melecada, avô generoso e gula, chegando a uma enorme festa. Que acabou.

Isso nunca aconteceu. Mas foi assim que digeri esse curso: com a gana merecida de um sorvete imaginário.

E daqui a 40 anos?

Propus a alguns focas uma viagem ao futuro, assim como fiz a esse passado inexistente. Neste vídeo, queridos colegas falam ao Em Foca sobre as delícias pretendidas aos seus 60 e tantos anos. Até breve!


Gustavo Ferreira, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

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