Tecnologias abrem possibilidades, acreditam palestrantes
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Tecnologias abrem possibilidades, acreditam palestrantes

Carla Miranda

24 Outubro 2014 | 21h07

Eugênio Bucci e Renato Cruz discutiram novas ferramentas no jornalismo

 

Por Matheus Martins Fontes e Stéfano Mariotto de Moura

A crise do jornalismo é assunto desde o início dos anos 2000. Demissões em massa, muitas vezes, são atribuídas ao desenvolvimento tecnológico – o que não deixa de ser verdade. Mas o colunista do Estado, Eugênio Bucci, vê o cenário sob outra perspectiva. Na sua ótica, há uma grande crise, sim. Mas no modelo de negócios, e não na profissão para a qual vê grandes perspectivas. E responsabilidades.

Palestrantes debatem sobre o uso da tecnologia no jornalismo

Bucci se apresentou para o auditório lotado no último dia da Semana Estado de Jornalismo, e empolgou a plateia.”Se o negócio da imprensa é a gráfica, vai acabar. Se é o pensamento, tem muito lugar no futuro”, afirmou. Na ótica do também professor da Universidade de São Paulo (USP), as novas tecnologias acabam impulsionando as possibilidades do ofício. Na verdade, o problema que essas novas ferramentas trazem é para os empresários. “Vamos ter que achar o (novo) modelo de negócios, mas o cenário é promissor.”

O professor também provocou os presentes ao indagar sobre o porquê de o jornalismo existir. Segundo ele, a profissão nasceu para questionar o poder, e o jornalista deve sempre ter em mente que esse poder emana do povo. “Se não houver essa crença, não é preciso imprensa”, disse, lembrando que o profissional tem como missão abastecer as pessoas de informação. Por causa dessa responsabilidade, Bucci criticou o fato de os debates presidenciais do segundo turno não terem contado com a presença de jornalistas. “A política no Brasil ainda não entendeu muito bem o papel do jornalismo.”

Tecnologia no dia a dia

Por sua vez, o também colunista do Estado, na área de tecnologia, Renato Cruz, comentou a respeito de como o jornalismo deve se preparar para acompanhar a evolução das novas ferramentas digitais. O repórter, assim como a maioria da sociedade, muitas vezes não sabe como usufruir dessas novas possibilidades lançadas. Por isso, ele acredita que o profissional precisa ficar atento para não se deslumbrar com o avanço das novas ferramentas.

Só que a missão parece ser complicada já que, segundo o especialista, a sociedade atual foi obrigada a se adequar com a tecnologia impregnada no cotidiano. “Hoje você liga para a operadora para falar de um problema e a secretária eletrônica te dá opções como solução. A tecnologia está sendo incorporada naturalmente na vida do homem”, afirma.

Por outro lado, Cruz crê que as novas ferramentas podem colaborar muito para o desenvolvimento da democracia. Citando a pequena parcela da população com internet, ele lembra que “a densidade de acesso no Brasil está abaixo de países latino-americanos como Chile e Argentina”. Em 2013, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) indicou que 28 milhões de brasileiros contam com internet em suas casas. Para efeito de comparação, a televisão está presente na vida diária da população em 97% dos lares do País.