Texto ou foto?
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Texto ou foto?

Redação

23 Novembro 2010 | 18h31

Não só de jornalistas com experiência em texto é feito o Curso Estado de Jornalismo. Apesar de ser um programa de treinamento voltado para a formação de repórteres, muitos da 21ª turma traçaram outros caminhos que não o da reportagem escrita antes de chegar aqui.

O Tiago Rogero, foca 29 deste ano, trabalhava há dois em uma rádio de notícias de Belo Horizonte antes de ser selecionado para o curso. Como muitos outros, pediu demissão com a certeza de que o curso o tornaria um repórter melhor. O traço inconfundível faz de Tiago o caricaturista oficial do grupo.

Com experiência em televisão, o foca 15, Gustavo Coltri, deixou o frila em um canal a cabo em Porto Alegre para se mudar para São Paulo. A possibilidade de trabalhar em um grande jornal e a perspectiva de crescimento profissional fizeram com que o primeiro dos quatro Gustavos deixasse o emprego e a família
no Sul para voltar à sua cidade natal.

Comigo não foi diferente. Durante a entrevista de seleção para o curso, ao descobrir meu emprego em Florianópolis, o coordenador Chico Ornellas foi incisivo:

– Tá, mas texto ou foto?

Sabia que seria inevitável. Formado desde dezembro do ano passado, há 10 meses eu trabalhava como repórter fotográfico em um jornal de Santa Catarina. Toda a minha graduação tinha sido direcionada – inclusive meu trabalho de conclusão de curso – para juntar minhas duas maiores paixões: o jornalismo e a fotografia.

Titubeei. Mesmo tendo me preparado para a pergunta, disse, sem convicção, que queria ser repórter. Chico repetiu a pergunta:

– Texto ou foto?

Texto. Tinha certeza de que a chance de fazer o curso, mesmo que a fotografia tivesse de ficar de lado por três meses ou talvez a vida inteira, era imperdível. Seria um jornalista melhor.

No fim, deu tudo certo. Entre as atividades diárias do curso e a correria da apuração das pautas e do infográfico para o suplemento, tenho conseguido fotografar nosso dia a dia e, de vez em quando, fazer dupla com os colegas em uma pauta ou outra do caderno.

Também aproveitei as poucas folgas do curso para fotografar para o jornal em que trabalho as partidas do Avaí e do Figueirense contra equipes da capital paulista.

Mas demorei quase dois meses para recomeçar a fotografar com frequência. Tem sido um prazer imenso escrever. Enxergar o mundo – e tentar traduzi-lo ao leitor – através de um bloquinho e uma caneta tem sido tão prazeroso quanto era com uma máquina fotográfica.

Lucas Sampaio, de 25 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)