Tiago Queiroz: empatia no fotojornalismo
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Tiago Queiroz: empatia no fotojornalismo

Carla Miranda

22 Outubro 2015 | 18h37

Tiago Queiroz - Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Tiago Queiroz – Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Por Júlia Corrêa

O repórter fotográfico Tiago Queiroz defende que o diferencial da profissão hoje, quando todos podem fotografar, é estar atento a histórias que passam despercebidas no cotidiano. Ele participou, nesta quinta-feira, 22, do painel “Pautas que nascem de um clique”, dentro da programação do terceiro dia da Semana Estado. Tiago é jornalista formado pela PUC-SP, tem pós-graduação em Fotografia pelo SENAC-SP e trabalha desde 2002 no Estadão.

Ele destaca seu gosto pela descoberta de histórias de personagens “marginalizados” na cidade. Muito do interesse por tais figuras nasceu quando serviu no Exército e trabalhou na prisão militar. “Conheci estupradores e assassinos que não podiam ir para a cadeia civil. Eu tinha muita curiosidade pelas histórias deles”, relembra.

Naquele momento, Tiago não tinha ainda contato com câmeras fotográficas. Ao sair do Exército, antes de entrar na faculdade, herdou uma máquina de seu avô, e seu pai sugeriu que fizesse um curso técnico em fotografia. “Com o gosto pela fotografia, decidi que queria ser fotógrafo de jornal e então optei pelo jornalismo”.

O caminho até chegar a um grande veículo não foi rápido. Passou por revistas institucionais, estúdios de fotografia publicitária, até que, em 1998, tornou-se freelancer do Estadão. “Comecei a trabalhar ao lado de fotógrafos que eu admirava, como o Robson Fernandes e o Vidal Cavalcante”, relata o fotojornalista.

As principais influências de Tiago, contudo, não são necessariamente grandes fotógrafos. Ele conta que escritores que dão voz a personagens esquecidos na cidade, como João Antônio, Marcos Rey e Plínio Marcos, lhe ensinaram a respeitar, nas imagens que faz, o “presidente da república” e o “morador de rua” da mesma maneira. “Eu procuro sempre manter o sentimento de empatia, me colocando no lugar de cada pessoa, até mesmo para ganhar a confiança do fotografado”.

Segundo Tiago, fotojornalismo não é apenas fazer uma fotografia bem feita. “A imagem deve ter história, informação, não só plasticidade, mas conteúdo”, salienta. Ainda que considere que não há uma receita pronta para o sucesso na profissão, ele acredita que o ideal é que o estudante mire ainda cedo uma área para se especializar – fotografia de esportes ou de guerra, por exemplo.