Três meses em sete casas: como enxerguei São Paulo
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Três meses em sete casas: como enxerguei São Paulo

Redação

16 de dezembro de 2011 | 11h56

Foto: Cecília Cussioli
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Parti de Recife apenas com uma mochila. Nela, não esqueci do netbook, celulares, mp4, câmera digital, caderno de anotações e do iPad. Trouxe também duas calças, duas meias, um único sapato, um pullover e sete camisetas. Vim com tudo, mas de forma bem compactado. Ajudou bastante na minha locomoção. Durante essa imersão de 100 dias de Curso queria conhecer São Paulo intensamente, mas fugindo do óbvio. Optei por viver como nômade. Queria conhecer muito mais quem vive em São Paulo, do que a própria São Paulo. Queria sentir a atmosfera de quem acorda, trabalha e dorme na cidade. Em três meses foram sete casas. Acabei conhecendo pelo menos 20 residentes.As casas de amigos, colegas, colegas de amigos, amigos de colegas, de quase  desconhecidos e até hostel serviram de bases provisórias. As pessoas com quem mais convivia fora do Estadão eram sempre jovens e praticamente quase nenhum paulistano. Enxerguei um outro mundo paralelo: com vários perfis, posturas, visões de mundo e ambições. Curto muito esse mosaico com vários tipos sociais: do cabeleleiro, ao vendedor, passando pelo estudante de Direito, DJ e chegando ao jornalista.

Notei que o jovem que sai da Bahia, do Espírito Santo, do Maranhão, de Manaus, de Minas, do Rio Grande do Sul ou de Brasília é antes de tudo um aventureiro. Jovens em início de carreira que esquecem da sua qualidade de vida e partem para um futuro incerto. Muitos cortam as relações de dependência financeira dos país e acabam até tendo que passar por maus bocados. Outros, enxergam nessa independência um valor inestimável, e lidam numa boa com a falta de colchões, televisões e fogão. Sempre com muito bom humor!

Mas a rotina dessas pessoas é mais que pesada. E o olhar que eles têm da cidade, me ajudaram a sedimentar um pouco da minha visão de São Paulo. Já conhecia a cidade, em viagens anteriores, mas somente em seus feriados e finais de semana.

Da vida real, com o convívio com essa massa de trabalhadores da nova geração, só agora. Quase todos apontam a diversidade de gente, a oferta cultura e de serviços, como o que de melhor a cidade oferece. Mas o certo é que fiquei ressabiado com a resposta de uma dessas figuras que encontrei nesses dias em Sampa: “São Paulo é para usar e abusar”. Ela citava que a oferta de cursos de qualificação, vagas de emprego e formação acadêmica na cidade é inquestionavelmente sem igual.

Mesmo achando um pouco agressiva a frase resolvir apostar nela. Para os que pensam em vir para São Paulo, pensem que não faltam aventureiros em condições as mais adversas possíveis. Cada um com sua devida ambição, mas todos com a esperança de um melhoria futura. “A hora de arriscar é agora”, nunca esse clichê fez tanto sentido. E mais, incrível foi perceber que essas figuras certamente darão certo num futuro não tão longo assim. Grande Sampa: lugar de encontros e crescimento!


PS: O pior dessa jornada? Acabei engordando seios quilos. Comida feita por homem ainda é muito ruim (acabei ficando, basicamente, em casa com homens), o jeito foi se entupir de comidinhas legais nos bares “3 em 1” de São Paulo. De manhã: padaria; à tarde: restaurante; de noite: botecão do bom e do melhor! Ê cidade multiuso.

» Por onde eu passei:
– Consolação – Rua Matias Aires, 171 (http://g.co/maps/hxd6z)
– Consolação – Rua Augusta, 1418 (http://g.co/maps/nrfhv)
– Cerqueira César – Rua Matias Aires, 268 (http://g.co/maps/6fqht)
– República – Avenida São João, 1086 (http://g.co/maps/6pw89)
– Campos Elíseos – Al. Barão de Limeira, 253 (http://g.co/maps/kq9fy)
– Santana – Rua Silvio Rodino, 89 (http://g.co/maps/3bre6)
– Santa Cecília – Avenida Duque de Caxias, 189 (http://g.co/maps/vbu4s)

Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)