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Twitter antecipa manchetes, diz diretor da rede social

Carla Miranda

23 Outubro 2014 | 18h53

Por Mateus Luiz de Souza

Todo estudante de jornalismo já ouviu falar da figura um pouco lendária do pauteiro, aquele profissional responsável por orientar os colegas sobre o que e de que forma cobrir determinado assunto. Cada vez mais raro nas redações, o Twitter está ressuscitando-o. É o que garante Leonardo Stamilo, diretor de jornalismo e política do Twitter no Brasil, durante palestra na 22ª Semana Estado de Jornalismo. “Lá as pessoas estão falando quais coberturas querem, o que elas esperam ter no debate. Entendê-lo é muito importante para nós jornalistas”, afirma.

Como exemplo da relevância do Twitter para a cobertura jornalística, cita o fatídico dia 13 de agosto de 2014, na morte de Eduardo Campos. Para ele, a cobertura na rede social começou muito antes do que a da imprensa tradicional. “O modelo do Twitter faz com que todas as mensagens atinjam um número infinito de usuários”. Ele se refere ao fato da plataforma organizar o conteúdo em ordem cronológica, quase igual às últimas notícias de um site noticioso. Além disso, o caminho que um tweet percorre pode ser alcançado por qualquer usuário.

O problema que surge para os jornalistas, porém, é como filtrar e organizar o conteúdo, que beira os 500 milhões de tweets diários. Para isso, o Twitter anunciou uma parceria com o Dataminr para criar um sistema de alertas de casos que sejam potencialmente notícias. “Basicamente, ele avisa a redação que vai chegar algo relevante”. Em casos assim, a quantia de tweets, retweets, a localização das mensagens, seguem um padrão que essa ferramenta consegue identificar e antecipar aos jornalistas. Leonardo conta que ficou sabendo que a atriz Lindsay Lohan declarou apoio a Aécio Neves graças a esse aviso.

Outra solução para os meios jornalísticos terem maior alcance e divulgação de seus conteúdos na rede social é através de parcerias com o Twitter, que já vêm sendo adotadas por algumas empresas. É o caso do G1 nas eleições, que tem uma página feita especialmente pelo Twitter em que é possível avaliar em tempo real quem as pessoas estão achando que está se saindo melhor no debate. “É interessante notar que os picos de audiência da TV, em casos em que há interatividade com o Twitter, acontecem logo depois do pico de comentários na rede social. E a explicação para isso é fácil: outras pessoas que não estavam vendo o debate são atingidas com esses comentários, e ligam o televisor para ver o programa em questão”, diz Leonardo.

O representante do Twitter ainda mencionou a importância do conteúdo colaborativo que a rede social proporciona. “Numa cidade como São Paulo, onde o metrô está sempre com problema, é impossível conseguir essa informação em tempo real com exatidão. Então a partir de tweets conseguimos saber como está”. Com base nisso, e nos sistemas de parcerias da rede, o Twitter e o Estadão lançaram recentemente uma parceria em que é possível ver os comentários postados na rede sobre a situação do transporte, chamado #EstadãoMetrôSP.