Um jornal só com boas notícias
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Um jornal só com boas notícias

Redação

14 Novembro 2011 | 20h00

Nestes mais de 70 dias de Curso, vimos, e ainda estamos vendo, todo o processo de como é que se faz um jornal: seus desafios diários, a disputa com a concorrência, a busca pela qualidade. A jornalista recém-formada Júlia Couto, de 24 anos, resolveu encarar todas essas questões e investir no jornalismo impresso – literalmente. E com um detalhe: dando apenas boas notícias para seus leitores. Isso mesmo. Júlia, formada pela PUC-SP, criou, em sociedade com o publicitário Alan Rossi, o Paparazzi, o primeiro jornal gratuito a circular em Mogi Mirim (150 Km de São Paulo). A estreia foi no dia 22 de outubro, aniversário da cidade.

Confira a entrevista em que Júlia conta como foi o processo de criar um jornal quinzenal gratuito e as suas expectativas. Afinal, quem nunca pensou – ou se imaginou criando – o próprio meio de comunicação, não é mesmo, focas? É uma experiência que vale a pena ser compartilhada.

É possível um jornal só de boas notícias?

Sim. É para deixar o clima do jornal mais leve. A nossa parte quente são as coberturas de festas e também da programação cultural da cidade.

Há espaço para este tipo de publicação?

Paparazzi, além de ter só boas notícias, ainda tem mais um desafio: ser gratuito. Ele é o primeiro produto deste tipo que roda na cidade. Os moradores ainda não se acostumaram com a presença de pessoas nos semáforos distribuindo gratuitamente jornal. Além disso, as empresas da cidade não possuem, na maioria das vezes, uma organização e um planejamento para gastos publicitários, então a venda de publicidades é uma coisa complicada.

Por que você escolheu um jornal impresso em vez da internet?

Foi complicado, mas acho que o meio jornal só surgiu como opção porque estamos lidando com uma cidade do interior, onde, por mais que a internet já esteja mega difundida, ainda existe um espaço grande e importante dedicado ao jornal. Além disso, sempre pensamos em utilizar a internet como um meio complementar, algo que os jornais da região ainda não fazem de maneira tão ativa. Nossa página do Facebook é atualizada diariamente e, em longo prazo, criar um site também está nos nossos planos.

Como você contratou sua equipe?

A equipe é bem reduzida. Temos um fotógrafo, que faz toda a cobertura de festas e fotos dos eventos da cidade. Eu fico responsável pela elaboração das matérias e das chamadas e toda a parte de revisão. E o Alan cuida da parte da venda de anúncios e dos contatos comerciais. Além disso, temos um diagramador.

Foi feito algum tipo de estudo de mercado antes do lançamento do jornal?

Fizemos uma pesquisa relativamente grande do mercado, para ver periodicidade, tiragem e, principalmente, o valor dos anúncios, pois não podemos fugir muito daquilo que é cobrado pelos outros jornais locais. Também nos preocupamos em oferecer um trabalho diferenciado, ou seja, os anúncios são muito mais elaborados e caprichados do que aqueles que são oferecidos pela “concorrência”, até para agregar um valor maior ao nosso produto na hora de vender esses anúncios.

Qual a expectativa de vocês em relação ao futuro do Paparazzi?

Acho que o futuro é promissor. Até conquistar aquilo que sonhamos ainda vamos demorar pelo menos um ano, mas nosso objetivo é fazer um produto de qualidade editorial e gráfica. Estamos apenas na 3ª edição e muita coisa ainda precisa ser melhorada, mas o importante é acreditar na ideia, e nós acreditamos muito. Se daqui um tempo este produto começar a ser copiado, aí sim teremos certeza que criamos uma tendência, mas por enquanto não.

Lidiane Ferreira, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero