Uma boa história, por favor
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Uma boa história, por favor

Redação

16 Novembro 2010 | 21h00

Lourival Sant’Anna é conhecido por suas reportagens internacionais, principalmente sobre guerras, mas foi no Brasil que o repórter especial do Estado realizou um de seus principais trabalhos em 2010. Antes das eleições, Lourival percorreu diferentes Regiões do País para ouvir os mais diversos tipos de personagens e escrever o caderno A Construção do Voto, publicado em 30 de maio.

Por ocasião de um trabalho sobre os princípios da apuração que nos foi proposto pelo editor do Estado Marcelo Beraba, eu e os focas Bernardo Barbosa, Felipe Frazão, Mariana Congo e Rodrigo Rocha tivemos a oportunidade de falar com Lourival a respeito da reportagem.

O caderno pretendia mostrar como os brasileiros escolhem seus candidatos. Contudo, a intenção não era apontar em quem estas pessoas votariam – afinal, esse trabalho já é realizado pelas pesquisas de opinião -, mas sim explicar o raciocínio e os critérios usados pela população na hora de optar por determinado político.

Para tanto, Lourival fez nada mais do que contar boas histórias, atividade básica do jornalismo e essencial para atrair a atenção dos leitores, mas que não é utilizada com a frequência devida (ao menos, em minha humilde opinião).

“Alguns analistas disseram que este caderno tinha uma riqueza maior do que muitas pesquisas qualitativas”, afirma Lourival. E o diferencial do caderno A Construção do Voto é justamente o fato de o jornalista mostrar por meio dos relatos dos entrevistados o que os números de pesquisas informam de um modo frio.

Assim, pelo discurso de um lavrador da Paraíba que melhorou de vida, por exemplo, podemos compreender os motivos da popularidade do presidente Lula. Ou, por outro lado, na fala de um empresário de Brasília, entendemos porque ele reprova o atual governo.

“O que me surpreendeu foi a falta de surpresas. Todos aqueles estereótipos que temos se confirmaram. O interessante é ver os motivos para que isso ocorra. É muito legal ver a sociologia funcionando na prática”, diz o repórter especial do Estado.

Como a foca Érica Saboya havia escrito em um post anterior, ouvir Lourival Sant’Anna falar sobre suas histórias é fascinante e motivador para qualquer iniciante no jornalismo. Principalmente quando ele nos mostra que ainda há espaço para se contar boas histórias e que, geralmente, as melhores e mais profundas reportagens estão baseadas nesse simples recurso.

Gustavo Antonio, de 22 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero