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Vitor Hugo Brandalise: o foca com sede

Carla Miranda

20 Outubro 2015 | 17h05

Por Guilherme Mendes

Uma chacina na zona norte de São Paulo foi a primeiro pauta na qual o catarinense Vitor Hugo Brandalise, 31, escreveu para o caderno “Metrópole”, em 2008. Apesar da dureza da pauta – encontrar e entrevistar sobreviventes de um assassinato em massa – o ex-foca da turma de 2007 parece ter se acostumado a tratar das mais sensíveis dimensões humanas.

Sete anos depois, o jornalista do caderno “Aliás” do Estadão é um dos palestrantes da Semana Estado de Jornalismo, falando sobre aquilo que mais acredita: o poder de uma boa narrativa  “A boa notícia é aquela que é bem-feita, bem apurada, com o máximo de informação possível e que, depois de que você tenha essa informação, que você possa ter tempo de escrever da forma como o leitor merece”, analisa.

Vitor é um defensor do chamado “slow journalism” – narrativas mais longas, detalhadas e profundas  – e sua série de reportagens mais recente, a aclamada “Sobre a Sede”, publicada em três partes pelo Estado e em sete atos pelo site Brio, conta a história da tentativa de suicídio envolvendo um casal de idosos.

O assunto atraiu o repórter logo quando ocorreu, no final de setembro de 2014. “[A notícia] nasceu como uma noticia de jornal uma matéria na Folha de S. Paulo, uma tripinha“, explicou durante sua palestra aos estudantes de jornalismo.

Com a paciência inspirada em um dos seus grandes ídolos (o americano Joseph Mitchell), Brandalise transformou a vida dos Golla em 75 páginas,  “do tamanho de um livro”.

Mesmo enfrentando algumas resistências por parte de alguns personagens, a aprovação sobre sua “Eu fiz a pergunta ao sr. Nelson [um dos dois protagonistas da história]: o senhor gostou?”

E resposta, recebida por ele, resume a alegria que todo jornalista gostaria de receber, mesmo em temas tão profundos: “E ele me respondeu: rapaz, chorei o tempo todo. Mas né, são os fatos”.