Você conhece mesmo o mercado jornalístico?
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Você conhece mesmo o mercado jornalístico?

Redação

08 Setembro 2011 | 19h01


Cartum: Frits Ahlefeldt / Creative Commons

“Raramente a verdade é pura, e nunca é simples.” O aforismo é de um escritor pouco comprometido com a realidade objetiva – o irlandês Oscar Wilde (1854-1900) -, mas explica de forma simples um paradoxo da vida real: os fatos não falam por si, tampouco se explicam. Para organizar o caos de informações, dizem, existem os jornalistas.

No entanto, numa das primeiras conversas que nós tivemos com Chico Ornellas, coordenador do curso, ficou claro que a maioria dos jornalistas (sobretudo os jovens) tem mais a aprender do que a dizer sobre as cifras do mercado do qual fazem parte. Até existe uma percepção geral sobre o setor, mas não é incomum que sejamos fisgados por boatos e boas propostas de trabalho sem atentarmos para um cenário mais amplo e contextualizado da indústria jornalística.

Veja alguns dados importantes, em especial sobre o jornalismo impresso:

– Segundo o Projeto Inter-Meios (levantamento feito pelo jornal Meio & Mensagem com a consultoria PriceWaterhouseCoopers), o faturamento publicitário dos veículos de comunicação cresceu 5% de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Alcançou-se a marca dos R$ 10,4 bilhões. Mas o desempenho dos jornais foi negativo: o faturamento dessas publicações vindo de espaço para anúncios foi 1,9% menor, ficou em R$ 1,3 bilhão.

– Para efeito de comparação, em 1978, dizia-se durante o 3º Congresso Brasileiro de Propaganda que o mercado publicitário brasileiro como um todo movimentava 1 bilhão de dólares.

– Hoje, a boa notícia para os jornais impressos brasileiros é que a circulação cresceu 4,2% no primeiro semestre de 2011, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC). A média diária de circulação chegou a 4.439.212 exemplares, um recorde histórico no País.

– Resultados como esse fazem do Brasil um dos poucos países em que o mercado editorial impresso vê oportunidades para crescer, enquanto economias tradicionais como EUA e Europa, a despeito da crise, digitalizam suas formas de acessar informações por meio de tablets, por exemplo.

– Mas, entre os Brics (grupo de emergentes que engloba Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), são os indianos que levam a melhor. Apenas o Times of India, campeão de vendas daquele país, consegue tiragens próximas dos 4 milhões de exemplares. Isso não se deve só ao fato de a Índia ter mais de 1,2 bilhão de habitantes, e, sim, a razões culturais: lá, os jornais são os meios de comunicação mais importantes, têm audiência superior até à da televisão e à do rádio.

José Gabriel Navarro, de 22 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e cursa pós-graduação lato sensu em Globalização e Cultura na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo