‘Estadão Notícias’: Brasil à mercê de novas tragédias; podcast ouve especialista
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‘Estadão Notícias’: Brasil à mercê de novas tragédias; podcast ouve especialista

Emanuel Bomfim

29 Janeiro 2019 | 06h00

A tragédia em Brumadinho (MG) tem escancarado o grau de negligência e descaso de autoridades, na esfera pública e privada, em relação ao potencial de risco de uma barragem de rejeitos de mineração. São inúmeros os fatores, de ordem técnica e política, que contribuíram para a consumação de uma catástrofe deste nível. Mesmo com todos os alertas emitidos, mesmo com o desastre em Mariana três anos antes.

O advogado Marcellus Ferreira Pinto, consultor da Unido – Rússia (Agência de Desenvolvimento Industrial da ONU), foi um dos representantes da sociedade civil que tentou, em vão, cobrar atitudes concretas da administração pública para se evitar novas tragédias. Hoje ele relata para este programa não só sua frustração, como cobra punições na esfera penal para os responsáveis, defende a quebra de monopólio da Vale e alerta: “outras barragens se romperão, mais cedo ou mais tarde.”

 

A tragédia de Brumadinho é também o tema da coluna “Direto o Assunto”, que traz os comentários de José Nêumanne Pinto.

 

Algumas declarações Marcellus Ferreira Pinto no podcast:

 

“É preciso quebrar o monopólio da Vale no Brasil. A Vale tem um monopólio da mineração. Nenhuma economia no mundo esse modelo funciona. O País tem que conviver com outras empresas, outras realidades, tem que se escancarar a porta do mercado para que outras empresas desembarquem aqui.”

 

“É fundamental esse afastamento. O governo tem o poder e o dever de agir nesse caso por conta do monopólio que a Vale exerce na setor de mineração no Brasil. A diretoria tinha que ser, sim, afastada, até para facilitar apuração de eventuais responsabilidades, o atendimento das vítimas, o esclarecimentos dos fatos.”

 

“Estamos a tratar de uma tragédia ambiental, mas não podemos esquecer que existem mortos, um número já comprovado de mortos, até muito superior a tragédia de Mariana. Se alguém morreu, alguém precisa responsabilizado. Não foi uma morte natural, essa morte foi causada. É preciso que a lei penal atinja os responsáveis, seja por negligência, por dolo ou até por omissão.”

 

“Não é admissível um segundo acidente, com o mesmo mecanismo, a mesma ocorrência, um rompimento de barragem. O que é pior: outras barragens se romperão, mais cedo ou mais tarde. E até quando nós vamos conviver com isso? Até quando a sociedade vai ficar de joelhos curvada aos interesses de uma única empresa?”

 

“Me parece óbvio que toda essa estrutura administrativa não teria que estar ali ao pé da barragem. É lago tão elementar que beira a negligência. Eu não quero crer que é falta de conhecimento, porque o corpo técnico da mineradora é competente. Agora, o amadorismo e o descaso com a possibilidade de um rompimento desse, de fato, nos traz perplexidade.”

 

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