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Base de UPP será retirada de escola estadual no Alemão

Após visita de deputados, PM informou que estrutura será 'desativada em breve e transferida para um prédio em reforma'

Carina Bacelar

06 Maio 2015 | 11h37

A Polícia Militar vai retirar a base de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Nova Brasília, no Complexo do Alemão, do terreno do Colégio Theóphilo Souza Pinto, pertencente à rede estadual. Desde 2011, a presença de policiais da UPP – e de confrontos – em suas instalações colocou a escola na mira de tiroteios. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou, em nota, que a base “será desativada em breve e transferida para um prédio que está em reforma” e que a mudança “obedece a critérios estratégicos da Coordenadoria”.

O pedido pela retirada da base, que segundo à direção do colégio, já foi encaminhado em 2014 à Secretaria Estadual de Educação, foi reforçado depois de uma audiência da  Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nas instalações da unidade na última segunda-feira (4). O colégio já havia recebido deputados da comissão e também da Comissão de Educação da Alerj no dia 22 de abril.

Na parede da sala da diretoria, borboletas e flores de plástico

Na parede da sala da diretoria, borboletas e flores de plástico “escondem” as marcas dos tiros (Carina Bacelar/O Estado de S. Paulo)

“Perdi muitos alunos. Em 2009, eu tinha apenas 300. Cheguei a ter 1.300 em 2011. Hoje são quase 700”, disse a diretora Tânia Salazar, na ocasião. Segundo ela, em 2014, a escola perdeu as turmas de ensino fundamental, mas a evasão é atribuída aos conflitos, já que a grande maioria dos estudantes do Theóphilo Souza Pinto cursa o ensino médio.

A sala da diretora tem uma das paredes esburacada por vários tiros. Ela procura esconder as marcas com borboletas de plástico e flores. Tânia conta que a maior evasão ocorreu no período da noite (o colégio funciona em três turnos). “A maioria dos alunos mora em área de conflito”, afirmou Tânia, que há seis anos dirige a escola, fundada há 15 anos e que emprega cerca de 60 professores.

Segundo relatos, os PMs costumavam entrar na escola e usar as instalações como “trincheiras” durante os conflitos com o tráfico. Desde que os confrontos recentes no Alemão viraram destaque na mídia, os policiais deram uma “maneirada”, nas palavras da diretora, e evitam abordar alunos e entrar na escola. Todos os projetos sociais que funcionavam no colégio estão parados desde 2011 por causa da violência.