Bibliotecas parque têm horário reduzido por falta de verba
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Bibliotecas parque têm horário reduzido por falta de verba

Referência no Rio, novo modelo faz sucesso há cinco anos; frequentadores estão revoltados com o corte orçamentário

Roberta Pennafort

14 de abril de 2015 | 17h55

Biblioteca do centro, matriz do sistema, foi inaugurada há um ano (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Com 15 mil metros quadrados, a biblioteca do centro, matriz do sistema, foi inaugurada há um ano (Foto: Fabio Motta/Estadão)

 

Criadas há cinco anos para serem espaços multifuncionais de atração da população para a literatura e outras artes, as bibliotecas parque do estado do Rio sofreram um revés: a partir de hoje, o  funcionamento, que era de terça a domingo, das 10 às 20 horas, justamente para receber frequentadores que não têm disponibilidade no horário comercial, ficou bastante limitado. Agora, só funciona de segunda a sexta, das 12 às 18h30.

O motivo: contenção de despesas. O governo do Estado do Rio, que criou e administra as cinco bibliotecas parque – nas favelas de Manguinhos, Alemão e Rocinha, no centro do Rio e em Niterói – suspendeu os repasses de verba necessários ao seu funcionamento pleno. A coordenadora do projeto, Vera Saboya, que estava desde o início à frente da iniciativa, deixou o cargo.

Segundo a Secretaria Estadual de Cultura, o problema é mesmo orçamentário. “É de conhecimento de todos o atual cenário de restrição orçamentária, amplamente noticiado pelos jornais. Por causa dele, foi feito um ajuste provisório nos horários de funcionamento da rede de bibliotecas parque, anunciado na sexta-feira. É uma medida temporária e a situação será normalizada em breve”, informou, em nota divulgada ontem à tarde.

No perfil no  Facebook da biblioteca da Avenida Presidente Vargas, no centro – a matriz do sistema, com 15 mil metros quadrados de área, acervo de 250 mil itens e média diária de mil frequentadores -, usuários, que no dia 29 de março celebraram seu primeiro aniversário, postaram mensagens em tom de revolta e desesperança. A unidade é frequentada por estudantes, pesquisadores, trabalhadores e moradores de rua da região do centro; aos fins de semana, famílias com crianças pequenas enchem a área infantil. Há cinco meses, o Estado publicou uma matéria sobre seu êxito (leia aqui).

Inspiradas no modelo implementado nas cidades colombianas de Medellín e Bogotá, as bibliotecas parque são grande sucesso de público por serem espaços amplos, coloridos e bem cuidados, em geral localizados em áreas em que não há oferta de equipamentos culturais. Mais do que um local para empréstimo de livros, elas oferecem peças de teatro, oficinas, cabines para exibição de filmes e rodas de leitura, além de computadores com acesso à internet e serviços à comunidade, como solicitação de documentos.