Brasileiro faz sucesso na Inglaterra com livros de temática espírita
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Brasileiro faz sucesso na Inglaterra com livros de temática espírita

Sem dinheiro, Valter dos Santos chegou a Londres onze anos atrás para melhorar de vida; lá realizou o sonho de ser escritor

Roberta Pennafort

31 Março 2015 | 16h40

Segundo livro acaba de ser lançado no Brasil (Foto: acervo pessoal)

Segundo livro acaba de ser lançado no Brasil (Foto: acervo pessoal)

 

Aos 22 anos, Valter dos Santos não tinha nada além de uma vontade grande de vencer na vida fora do País. Saído de uma forte depressão que durou boa parte da transição para a vida adulta, período no qual tentou se suicidar por mais de uma vez, ele foi para Londres sem formação acadêmica nem profissional, e com o equivalente a menos de R$ 1.000 na carteira. Nascido e criado na Mooca, não teve vida fácil na capital inglesa. Sobreviveu com subempregos: foi ajudante em uma boate, auxiliar de cozinha, faxineiro. Enredo típico de quem busca a sorte no exterior.

O que distingue sua trajetória é que hoje, aos 33 anos,  Santos realizou o sonho de ser bem-sucedido como escritor. Vendeu 18 mil livros em três anos, sem qualquer verba de publicidade. O gênero ao qual vem se dedicando é o romance espiritualista. De 2012, o primeiro livro, A verdade nunca morre, que ele escreveu para ajudar uma amiga a superar a morte da mãe, chegou a ficar em primeiro lugar entre os mais vendidos nessa temática na Amazon, nos Estados Unidos e no Reino Unido; o segundo, Borboletas no jardim, no qual expõe histórias pessoais, está saindo também no Brasil, pela editora especializada Itelitera, e também foi bem no site de vendas.

O tema lhe veio ainda na adolescência. O desejo de morrer surgiu em decorrência da partida da mãe, quando ele tinha oito anos (ela teve um aneurisma cerebral). A vida se tornou difícil só com o pai e a irmã de cinco anos. “Eu pensava que não podia chorar, não podia ficar triste. Todos aqueles sentimentos de tristeza, frustração e saudades da minha mãe ficaram dentro de mim até que, como um vulcão em erupção, vieram todos à tona na adolescência”, relembra Santos, católico de batismo e “espírita simpatizante”, que diz escrever com o objetivo de dividir com os leitores sua crença na vida após a morte.

“Tentei o suicídio várias vezes, até que cheguei no plano perfeito. Num sábado de carnaval, depois de minha família sair para viajar, eu tomei várias caixas de barbitúricos e também garrafas de bebidas alcoólicas. Fiquei desacordado. Quando acordei, me deparei com a imagem do espírito de minha mãe e do meu avô, que também já era falecido. Ambos estavam olhando por mim.”

A visão lhe faria virar o jogo. “Com o tempo aprendi que aquela depressão tomou conta de mim por que eu comecei a me enxergar como uma grande vítima do universo. Pensava que só eu tinha problemas, só eu passava por momentos difíceis. Aprendi que todos nós passamos, e que eles são apenas momentos de aprendizados na vida, lições que temos que aprender para evoluir. A vida fica muito mais fácil de ser vivida quando deixamos de nos enxergarmos como vítimas”, acredita.

A experiência londrina começou a mudar quando Santos foi treinado para trabalhar na Harrods, mais luxuosa loja de departamento do mundo, também a maior loja da cidade. Foi a formação para o mercado de trabalho que ele não tivera no Brasil. De lá, foi empregado pela Kiehl’s, empresa de cosméticos do grupo francês L’Oreal, onde hoje é gerente regional, com uma equipe de 80 pessoas. Este ano, começa a cursar psicologia na faculdade. Os livros seguem como hobby, embora ele já tenha até aberto uma editora para abarcar seu sonho.

“Após terminar de escrever meu primeiro romance, eu enviei o manuscrito a várias editoras na Inglaterra, que desconheciam o gênero. Li num jornal uma matéria que ensinava o passo-a-passo aos leitores de como abrir uma editora e  publicarem seus livros por conta própria.  Não pensei duas vezes: abri uma editora, à qual dei o nome de J. Bento Publishers, em homenagem ao meu falecido avô, e publiquei o livro em inglês nos Estados Unidos e em toda a Europa”, conta o autor, que já terminou o terceiro romance, o qual classifica como de autoajuda. Enquanto isso, comemora a publicação de A verdade nunca morre na Romênia, Colômbia, México, Argentina e Chile.

“Aqui na Inglaterra sinto as pessoas bem diferentes do Brasil no quesito espiritualidade. O brasileiro tem uma fé muito grande, não importa a religião. Os ingleses são muito céticos. Minha intenção com os livros é de confortar os corações daqueles que procuram por respostas e penso que os livros estão cumprindo seu papel, daí o sucesso.”