Caderneta com aquarelas inéditas do século XIX é doada ao Museu Imperial
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Caderneta com aquarelas inéditas do século XIX é doada ao Museu Imperial

Trinetos do viajante inglês Willian Rickford Collett trouxeram diário de viagem da Nova Zelândia para o Brasil

Redação

30 de junho de 2015 | 15h04

Danielle Villela

Uma caderneta de viagem com aquarelas e manuscritos inéditos sobre o Brasil do século XIX será doada nesta sexta-feira, 3, ao Museu Imperial, em Petrópolis, na região serrana do Rio, após cerca de 160 anos guardada pelos descendentes do seu autor, o inglês William Rickford Collet (1810-1882). Com 70 páginas, o volume “Journey from Rio de Janeiro to the Mines” (Jornada do Rio de Janeiro para as Minas, em tradução livre) foi trazido da Nova Zelândia para o Brasil por Deirdre Atmore e George Andrews, trinetos de Collet.

 

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Imagem rara dos primórdios da construção do Palácio Imperial de Petrópolis, residência de verão de d. Pedro II (Reprodução)

 

Produzido por Collet durante sua viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais entre fevereiro e abril de 1848, o diário contém raras aquarelas da paisagem da Serra Fluminense, da Fazenda do Padre Correa e da construção do Palácio Imperial de Petrópolis, residência de verão do imperador d. Pedro II e sua família, onde desde 1940 funciona o Museu Imperial.

“É uma das imagens mais antigas do Palácio. Um registro de grande importância nacional e um dos mais significativos da região de Petrópolis, que na época era uma estação de descanso para as tropas e animais que seguiam viagem do Rio para Minas”, afirma Maurício Ferreira, diretor do Museu Imperial. Segundo Ferreira, o principal interesse de Collet em sua viagem era a busca por ouro.

 

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Collet reproduziu as paisagens que encontrou na sua viagem (Reprodução)

 

Além das aquarelas, o diário também contém descrições detalhadas sobre as paisagens, as pessoas e os costumes observados por Collet durante sua viagem. Com encadernação de couro e fecho de metal, a caderneta está muito bem conservada e seu conteúdo será transcrito e traduzido pela equipe do Museu Imperial.

Jornada – Collet retornou para a Inglaterra após sua viagem ao Brasil, mas seu diário acabou sendo levado por seus descendentes para a Nova Zelândia. Desde 2007, os trinetos do inglês Deirdre Atmore e George Andrews tentavam negociar a venda da caderneta com instituições brasileiras, mas não obtiveram sucesso.

“Ficamos muito felizes com a contribuição e desprendimento deles em doar esse material, que tem grande interesse para nossa cultura e nosso patrimônio. Não há interesse nesse documento na Nova Zelândia, não diz nada para eles”, afirma Ferreira.

 

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Os trinetos de Collet, que doaram a caderneta ao Museu Imperial (Divulgação)

 

 Acervo – Ferreira destaca que o diário de Collet se inscreve no rol dos registros de viagem comuns no século XIX, especialmente aqueles produzidos por súditos da coroa britânica, entre diplomatas, militares, engenheiros e artistas. “Os ingleses tinham uma preocupação maior em fazer a descrição sistemática e precisa de suas observações”, disse.

Entre os exemplares da categoria literatura de viagem produzidos na primeira metade do século XIX sob a guarda do Museu Imperial estão “Vistas e costumes da cidade e arredores do Rio de Janeiro em 1819-1820”, do Lieutenant Henry Chamberlain, “Diários do almirante Graham Eden Hamond,  1825-1838” e os “’Sketches’ do tenente William Smyth,  1831-1834”. 

 

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William Rickford Collet percorreu do Rio a Minas Gerais em busca de ouro (Reprodução)

 

 

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